Segundo as organizações, a preocupação recai sobre parte da frota de veículos leves, uma vez que cerca de 15% dos carros em circulação não são dotados de motores "flex fuel" Segundo o CNPE, a 'atualização' fará com que o país deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Antes da aprovação do aumento do percentual de adição do etanol à gasolina, de 30% para 32%, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), quatro entidades divulgaram, na segunda-feira (13) à noite, uma nota técnica na qual manifestaram preocupação com a elevação da mistura sem a conclusão dos estudos e testes prévios necessários. Segundo as organizações, a preocupação recai sobre parte da frota de veículos leves, uma vez que cerca de 15% dos carros em circulação não são dotados de motores "flex fuel", capazes de serem abastecidos com etanol e gasolina. O primeiro carro equipado com motor flex foi lançado em 2003. Portanto, veículos produzidos antes desta data não são bicombustíveis. Também estão nesta condição veículos importados. Também estão incluídos nesse grupo embarcações de pequeno porte e motocicletas movidas exclusivamente a gasolina. Para Brasilcom, que representa distribuidoras regionais, Fecombustíveis (revendas), SindTRR (transportador retalhista) e Abicom (importadores), a decisão resultaria em possíveis efeitos sobre desempenho, durabilidade de peças e custos de manutenção, "com impacto significativo" aos usuários desses veículos. "O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina acima dos atuais 30% também requer a realização de testes específicos para que se determine, com segurança, a sua viabilidade", disseram as entidades. Na carta, as associações apontaram ainda a existência de um potencial aumento do consumo específico de combustível por causa do aumento da parcela de etanol. O efeito, apontam, é o maior gasto do consumidor para percorrer a mesma distância. "As entidades defendem que a política pública de biocombustíveis seja conduzida com previsibilidade, segurança jurídica, base científica, diálogo institucional e respeito aos ritos técnicos e regulatórios previstos em lei, em favor de uma agenda ambiental responsável, segura e tecnicamente fundamentada", afirmam na nota conjunta. Na resolução que foi aprovada, o CNPE estabelece que o teor de 32% de etanol na gasolina tem vigência de 180 dias, com possível prorrogação pelo mesmo período, uma única vez. Segundo o CNPE, a "atualização" do teor fará com que o país deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. Biodiesel Brasilcom, Fecombustíveis, SindTRR e Abicom também manifestaram preocupação com a elevação do percentual de 15% para 16% de biodiesel ao diesel fóssil. O CNPE, porém, não votou pelo aumento. Porém, o conselho aprovou uma resolução que atualiza as diretrizes para o fornecimento de biodiesel destinado à adição ao diesel. Segundo a Resolução 4/2026, o biodiesel comercializado pelo mercado deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com isso, fica vedada a importação de biodiesel.
Entidades já haviam manifestado preocupação com percentual de etanol na gasolina
Segundo as organizações, a preocupação recai sobre parte da frota de veículos leves, uma vez que cerca de 15% dos carros em circulação não são dotados de motores "flex fuel"












