Ricardo Wagner disse que estudos mostram que apenas 10% do lucro de organizações criminosas têm origem no tráfico de drogas, e afirmou que a maior parte dos ganhos vêm de negócios legítimos A maior atuação de organizações criminosas em diferentes áreas da economia leva a Petrobras a reforçar formas de se proteger para garantir que a companhia não tenha relação com esses organismos, segundo o diretor de governança da estatal, Ricardo Wagner. Conforme Wagner, há estudos que dizem que apenas 10% do lucro de organizações criminosas venham do tráfico de drogas: “A maior parte dos ganhos desses grupos vêm de negócios legítimos. Eles estão na economia formal e no sistema financeiro”. Ao participar de evento sobre compliance realizado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), o diretor da Petrobras afirmou que a companhia busca internalizar em todas as áreas, em especial nas que lidam com compra e venda, regras para reforçar proteção. “Precisamos confirmar que adotamos todos os resguardos para termos um grau de confiança para fornecer, contratar ou ter parceria de negócio com parceiros que não tenham envolvimento com o crime organizado. A preocupação não pode se limitar às duas organizações que foram designadas como terroristas. Temos que pensar todas como organizações criminosas”, disse o executivo. Em junho, o governo dos Estados Unidos oficializou a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Segundo a agência Reuters, refinarias brasileiras venderam mais de 100 milhões de litros de nafta para uma empresa investigada por suposto envolvimento em um esquema de fraude envolvendo o PCC. Conforme fontes e documentos vistos pela agência, um dos principais fornecedores era a Riograndense, uma refinaria no Rio Grande do Sul controlada pela Petrobras, Braskem e o conglomerado de energia Ultrapar. Na ocasião, a Petrobras e a Ultrapar afirmaram à Reuters que a Riograndense é administrada de forma independente. A Braskem não respondeu a pedido de comentário da Reuters. Nesta terça-feira (14), o diretor da Petrobras disse que a companhia tem análises constantes, e acompanha o noticiário e operações, para avaliar suspensão ou rompimento de contratos. “Fazemos análises também de para quem estamos vendendo. Não é só porque alguém quer comprar que vamos vender. Fazemos análises para ver quem é o cliente, quem são os donos e com quem eles se relacionam também. Mitigamos riscos para garantir que não estamos vendendo combustíveis para distribuidoras que tenham relação [com organização criminosa].” Negócios internacionais Em sua apresentação, o diretor da Petrobras afirmou que recentemente o governo dos Estados Unidos também definiu oito organizações mexicanas como grupos terroristas. Em junho, a Petrobras assinou um memorando de entendimento com a estatal mexicana Pemex para avaliar possíveis projetos em parceria. Segundo Ricardo Wagner, a Petrobras busca chegar em outros países em parceria com alguma companhia local que já entenda bem da jurisdição local. “Precisamos sempre conhecer a legislação do país, quais tipos de licenciamentos precisamos, se teremos que abrir um escritório no local ou não. Avaliamos também com quem estamos fazendo negócios naquele lugar, se há processos judiciais. Cada país pode ter risco menor ou maior”, disse. “No caso do México, é um memorando de entendimento. As duas partes ainda vão conversar sobre potenciais negócios. Temos um bom parceiro lá”, afirmou. Questionado sobre se o número de classificação de grupos terroristas no México não afastaria a Petrobras do país, o diretor afirmou: “Isso ratifica o nosso padrão e reforça nossos critérios”. Ricardo Wagner de Araujo, diretor de governança da Petrobras — Foto: Gabriel Reis/Valor
Maior alcance de organizações criminosas leva Petrobras a reforçar governança, diz diretor
Ricardo Wagner disse que estudos mostram que apenas 10% do lucro de organizações criminosas têm origem no tráfico de drogas, e afirmou que a maior parte dos ganhos vêm de negócios legítimos








