Levantamento da fintech Meu Dividendo mostra que os JCP responderam por 54,3% do total de R$ 126,7 bilhões pagos aos acionistas no período Com tributação, dividendos ficam atrás de juros sobre capital próprio no 1º semestre — Foto: Freepik Pela primeira vez desde o início da série histórica iniciada em 2020, os juros sobre capital próprio (JCP) superaram os dividendos na distribuição de proventos pelas empresas listadas na B3 no primeiro semestre do ano, respondendo por 54,3% do total de R$ 126,7 bilhões pagos aos acionistas. O valor total dos proventos pagos (R$ 126,7 bilhões), entretanto, foi o menor desde 2021, tendo recuado 28% em relação ao mesmo período de 2025, após distribuições extraordinárias feitas antes da tributação dos dividendos. As mudanças, constatadas por análise da fintech Meu Dividendo, ocorrem no primeiro ano de vigência da lei que passou a prever a incidência de 10% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os dividendos superiores a R$ 50 mil por mês recebidos por uma mesma pessoa física de uma mesma fonte pagadora, antes isentos. Apesar de também serem tributados, os JCP podem ser deduzidos pelas empresas da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), dentro dos limites previstos em lei. Os proventos são valores distribuídos pelas empresas aos acionistas. Eles incluem principalmente os dividendos, que correspondem à parcela do lucro repassada aos investidores, os JCP, modalidade de remuneração calculada sobre o capital próprio da empresa, além de outras formas de distribuição, como bonificações e restituições de capital. A redução do valor total dos proventos nesse primeiro semestre não indica, necessariamente, uma piora na capacidade das companhias de remunerar seus investidores. Segundo o levantamento da fintech, o segundo semestre de 2025 foi impulsionado por distribuições extraordinárias realizadas antes da entrada em vigor da tributação sobre dividendos em 2026. Em outras palavras, diversas companhias anteciparam para o fim do ano passado a distribuição de parte dos lucros que poderia ser feita em 2026, com o objetivo de não pagar a tributação determinada pela nova lei. Este movimento elevou excepcionalmente os pagamentos em 2025 e tornou a comparação com 2026 mais desfavorável. No montante total, os JCP somaram R$ 68,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, enquanto os dividendos alcançaram R$ 57 bilhões. Em 2022, os juros sobre capital próprio representavam apenas 24,8% do total distribuído pelas empresas. Para a Meu Dividendo, "o crescimento persistente [dos JCP] reforça a importância do monitoramento legislativo, dado que propostas em tramitação no Congresso Nacional podem alterar ou limitar o mecanismo nos próximos exercícios". Apesar da retração em relação ao recorde de R$ 176 bilhões pagos via dividendos e JCP, registrado em 2025, a fintech avalia que o mercado brasileiro continua em um novo patamar de distribuição de proventos. Conforme o levantamento, "mesmo com a queda de 28%, o volume de R$ 126,7 bilhões no primeiro semestre supera todos os primeiros semestres anteriores a 2024, confirmando que o mercado brasileiro opera num novo patamar de generosidade ao acionista".