Simulações foram baseadas no valor da carga de dois petroleiros que circularam pelo canal neste fim de semana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navios ancorados no Estreito de Ormuz — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 13/07/2026 - 18:33 Proposta de Taxa de Trump no Estreito de Ormuz Aumenta Tensões Globais A proposta de Donald Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz pode gerar milhões por navio para os EUA. A medida visa compensar custos de operações americanas na região, mas enfrenta resistência do Irã, que não permitirá interferência nos controles do estreito. A tensão cresce com o enfraquecimento de um acordo de cessar-fogo, ameaçando o tráfego marítimo e a segurança energética global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa equivalente a 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, anunciada nesta segunda-feira, pode representar uma arrecadação de dezenas de milhões de dólares por navio, se efetivamente implementada. A medida anunciada pelo republicano ocorre em meio a uma escalada das hostilidades sem precedentes desde o cessar-fogo de abril entre Washington e Teerã. Um exemplo é o petroleiro Humanity, que, segundo a empresa de análise Kpler, foi um dos seis a cruzar o estreito neste fim de semana, transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraniano. Considerando um preço de referência (Brent) de aproximadamente US$ 83,30 (R$ 429,08) por barril, essa carga teria valor estimado em US$ 166,6 milhões (R$ 858,16 milhões). Dessa forma, uma taxa de 20% renderia cerca de US$ 33,3 milhões (R$ 171,53 milhões) aos EUA apenas com essa embarcação. Outra embarcação citada pela Kpler é o petroleiro Capetan Andreas, que levava neste fim de semana aproximadamente 500 mil barris de derivados de petróleo do Kuwait. Como são de menor qualidade do que o petróleo bruto, esses produtos têm preço mais baixo, variando de US$ 45 a US$ 65 o barril segundo a Ship & Bunker, principal publicação mundial sobre combustíveis marinhos. Nesse cenário, a cobrança de 20% dos EUA resultaria em uma arrecadação de aproximadamente US$ 4,5 milhões (R$ 23,17 milhões) a US$ 6,5 milhões (R$ 33,47 milhões), dependendo do produto transportado. As estimativas, no entanto, são apenas simulações que partem do pressuposto de que a cobrança implementada por Washington incidiria sobre o valor total da carga, utilizando como referência o Brent, já que não foram divulgadas regras sobre a forma de cálculo e possíveis exceções. Segundo Trump, a cobrança da taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas pela hidrovia será feita para compensar os custos das operações americanas na região. Em entrevista à Fox News, Trump disse que os EUA se tornarão "os guardiões do Estreito", acrescentando que o país estava vigiando o local "sem receber nada em troca", mas que agora seria reembolsado por nações ricas. — Vamos receber dinheiro para protegê-lo. Muito dinheiro. Tudo o que queremos é ser reembolsados por fazer tudo isso, por colocar nosso povo em perigo — declarou. O republicano ainda disse que Washington está "tomando o controle" da passagem e voltou a acusar o Irã de agir de má-fé nas negociações. Irã rejeita controle americano A reação iraniana veio poucas horas depois. Em mensagem de vídeo, o porta-voz do comando militar do país, Khatam al-Anbiya, afirmou que Teerã não permitirá "sob nenhuma circunstância" que os EUA interfiram na gestão do estreito. O militar também advertiu os países do Golfo, dizendo que qualquer colaboração com Washington será considerada "um ato de guerra". A declaração representa um endurecimento do discurso iraniano em meio à retomada dos confrontos e às disputas sobre o controle da passagem marítima. Algumas horas depois, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, publicou uma reação irônica ao anúncio do presidente americano. "O presidente está absolutamente certo", disse ele no X. "Quem proporciona a passagem segura de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por esse serviço. O Irã sempre foi o GUARDIÃO do Estreito e continuará sendo para SEMPRE", completou. "20% é, obviamente, demais. Seremos justos." O Irã insiste que não permitirá que os Estados Unidos "interfiram" nesta etapa crucial para o transporte de petróleo e gás, sobre o qual deseja manter o controle estabelecido nos primeiros dias da guerra, e onde espera cobrar pelo trânsito de navios. Além disso, Teerã afirmou que os Estados Unidos são responsáveis ​​pelo "retorno da insegurança" na região, e a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, os acusa de colocar em risco o fornecimento global de petróleo. Acordo em crise O aumento da retórica de Washington ocorre em meio ao enfraquecimento do acordo prévio assinado em 17 de junho por EUA e Irã, que previa uma trégua de 60 dias para negociar o fim da guerra. — Não há dúvida de que o acordo está em crise. Mas o Irã nunca foi o primeiro a deixar de cumprir seus compromissos — afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. O documento estipulava a reabertura do estreito, mas Teerã autorizou apenas um único corredor de navegação por essa passagem marítima, próximo à sua costa, e descarta o retorno à situação anterior à guerra, quando havia livre trânsito pela hidrovia. Os ataques e ameaças iranianos contra a navegação praticamente paralisaram o tráfego marítimo pelo estreito em março, causando escassez global de combustível. O tráfego se recuperou um pouco após o cessar-fogo, mas permanece muito abaixo dos níveis pré-guerra. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países — Esta passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas e a República Islâmica do Irã vai protegê-la — declarou Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, segundo a agência Isna. Tanto a cobrança do Irã como a dos EUA são vetadas pela legislação internacional. Desde 1968, a Organização Marítima Internacional, da ONU, estabelece que a passagem pelo Estreito de Ormuz deve ser livre de taxas, pedágios e restrições de qualquer tipo. A decisão, na verdade, representou a adoção, pela entidade internacional, do Esquema de Separação de Tráfego, acordo entre o Irã e Omã para evitar colisões no estreito estabelecendo dois corredores de passagem, um do lado de cada país. Após a Revolução Islâmica, em 1979, o novo regime iraniano declarou que não estava obrigado a reconhecer os tratados assinados pelo governo do xá, mas nunca tentou a sério mudar a situação até o início da guerra com os EUA. Com agências internacionais.