Gianni Agnelli quebrou o protocolo, pulou a corda que distanciava as autoridades do público e foi cumprimentar os funcionários de sua nova fábrica. O então presidente da Fiat estava em Betim (MG) no dia 9 de julho de 1976, data que marcou o início da produção do compacto 147 no Brasil.

A fábrica completa 50 anos entre as mais eficientes do país e é tratada como o marco inicial da montadora italiana no Brasil. Entretanto, seus automóveis já estavam nas ruas do país desde a primeira década do século 20, trazidos por diferentes representantes.

As negociações começaram no início da década de 1970, época em que a divisão de tratores da montadora italiana já produzia em Minas Gerais. "Para Giovanni Agnelli, é mais difícil operar no Brasil do que na 'Cortina de Ferro'", publicou esta Folha no dia 4 de fevereiro de 1970, tratando Gianni pelo seu nome de batismo.

A assinatura do acordo de comunhão de interesses para a construção da fábrica de automóveis ocorreu em março de 1973. Rondon Pacheco, governador de Minas Gerais, garantiu benefícios fiscais à Fiat e o estado bancou parte do investimento em Betim.

Era uma ousadia industrial, já que o setor automotivo tinha se consolidado no ABC paulista no fim dos anos 1950. O impulso foi dado com a criação do Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960). Naquela década, a Fiat havia optado pela Argentina.