Argentina: fábricas fecham e funcionários são demitidosSituação em alguns setores da economia contrasta com aumento do pib e queda da inflação. Crédito: Luciana DyniewiczGerando resumoEleito no fim de 2023, o libertário Javier Milei assumiu o comando da Argentina com um discurso radical — chegou a defender o fim do Banco Central, por exemplo. Mas, no comando do país, alcançou alguns feitos. O principal deles foi reduzir a inflação do patamar de 200% ao ano para 30% — apesar de ela ter ganhado força no primeiro trimestre de 2026, principalmente devido ao aumento internacional do preço do petróleo.Também conseguiu retomar o crescimento depois de uma recessão inicial. Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino recuou 1,3% e, no ano passado, cresceu 4,4%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê alta de 3,5% em 2026 e de 4,0% em 2027. Leia maisArgentina de Milei tem alta no PIB e queda na inflação, mas empresas fecham e informalidade cresce“Com a mudança de governo, houve uma mudança muito forte naquilo que chamamos de marco dos negócios, que envolve a macroeconomia, mas também envolve tudo o que é o custo argentino”, diz Juan Ronderos, sócio da consultoria MAP LATAM. “Envolve os problemas de produtividade, tudo o que tem a ver com a estrutura de mercado, ou seja, contra quem competir, com qual produto e serviço. A Argentina era uma economia muito, muito fechada.”PublicidadeJavier Milei depende de novos setores para fazer a economia crescer Foto: Natacha Pisarenko/APSe as atividades mais tradicionais, como a indústria têxtil, sofrem e ampliam a informalidade, outras começam a ganhar destaque: os setores de óleo e gás, mineração e agronegócio vêm se crescendo. Uma das grandes apostas do país é a exploração de Vaca Muerta, com a produção de petróleo de xisto (shale oil).PUBLICIDADE“Hoje, temos uma economia que está se acomodando nesse novo marco dos negócios em múltiplas velocidades. Alguns setores estão crescendo muito fortemente, outros estão crescendo de forma razoável, outros estão crescendo muito lentamente e em níveis muito baixos. E outros estão caindo”, afirma Ronderos. Na avaliação da economista Marina dal Poggetto, diretora executiva da EcoGo Consultores, porém, essa disparidade entre os diferentes setores tem deixado a atividade estancada. O resultado da recuperação do PIB no ano passado após a queda em 2024 é a economia operando em um patamar semelhante ao de quando Milei assumiu, diz.Publicidade“Houve um freio no consumo. Há muitos anúncios de investimentos, mas pouca coisa saindo do papel“, afirma Poggetto. “O motor da recuperação de 2024 foi o crédito, e ele também recuou.”No ano que vem, o governo Milei vai ser testado nas urnas com a provável campanha de reeleição. Atualmente, a leitura dos analistas é de que a economia deve chegar a 2027 com alguma solidez, o que pode favorecer o atual presidente, mas o mercado de trabalho mais frágil pode ser um problema para ele. “Hoje, parece que os dados principais e mais importantes são a inflação e a economia estável, e isso o governo está alcançando”, afirma Roberto Nolazco, gerente de assuntos públicos para a América Latina da consultoria Prospectiva. “Se o desemprego crescer muito, entretanto, poderá afetar a sua performance eleitoral.”Publicidade