Alta forte da Petrobras limita perdas do principal índice de ações da B3 em sessão de aversão global a risco Painel de cotações na sede da B3, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg Depois de oscilar em torno da estabilidade no início dos negócios, o Ibovespa se firmou em território negativo ainda pela manhã e ampliou as perdas ao longo desta segunda-feira, em meio à piora da aversão a risco global. A troca de ataques entre EUA e Irã durante o fim de semana levou autoridades iranianas a fechar o Estreito de Ormuz. Como resposta, o presidente americano, Donald Trump, elevou o tom e disse que os Estados Unidos serão os “guardiões” de Ormuz e que cobraria uma taxa de 20% sobre todo cargueiro que passar pela região, o que levou os preços de petróleo a encerrar com ganhos acima de 9%. A disparada nas cotações da commodity impulsionou uma reprecificação na curva de juros local e afetou em cheio o Ibovespa, que encerrou em queda de 1,20%, aos 175.739 pontos, perto da mínima intradiária de 175.567 pontos, revertendo uma parte da alta forte de quase 3% da última sexta-feira. Declarações consideradas mais “hawkish” (inclinadas ao aperto monetário) do diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller também ajudaram a ampliar o mau humor dos mercados durante a tarde. O movimento de queda na bolsa local só não foi mais intenso em razão da forte alta das ações da Petrobras. No fim, as PN da petroleira subiram 2,55%, enquanto as ON da estatal exibiram valorização de 3,44%. Com a valorização, a petroleira ganhou R$ 16,8 bilhões em valor de mercado, com o montante terminando o dia em R$ 561,6 bilhões. Já as demais blue chips encerraram em território negativo: as units do BTG Pactual lideraram as perdas, com queda de 2,06%, seguidas pelas ON da Vale, que recuaram 1,79%. A disparada dos juros futuros também pesou sobre ações cíclicas domésticas, que ficaram entre as maiores perdas do pregão, caso de MRV (-5,39%) e C&A (-3,65%), revertendo uma parte dos ganhos vistos na sexta-feira. Os impasses sobre a navegação no Estreito de Ormuz inibiram o apetite por risco na sessão, em um pregão em que falas mais “hawkish” de Waller também ajudaram a ampliar o mau humor nos mercados. O dirigente da autoridade monetária americana se mostrou aberto à possibilidade de um aumento nos juros de curto prazo e afirmou que há uma tendência de alta da inflação, incluindo o núcleo, desde antes da guerra do Irã. “O Fed precisa estar preparado para endurecer a política monetária a fim de evitar a repetição do episódio de inflação de 2021”, destacou. O diretor de investimentos da Nau Capital, Maurício Valadares, lembra que as declarações de Waller ajudaram a elevar a aversão a risco global pelo fato de o executivo ser associado a uma postura mais “dovish” (menos inclinado ao aperto monetário). “O Waller foi um dos indicados do Trump. Há pouco tempo ele estava sendo um dos mais ‘dovish’, inclusive visando a cadeira que foi dada ao Warsh [Kevin, atual presidente do Fed]. Por isso, o mercado pesou mais essa fala dele hoje”, avalia Valadares. Em meio à perspectiva de que os bancos centrais adotem uma postura mais conservadora, inclusive o brasileiro, o executivo avalia que a bolsa local não deve avançar de forma “sustentável” neste momento. Para ele, eventuais melhoras serão mais táticas do que estruturais, assim como ocorreu na sexta-feira em que o Ibovespa subiu quase 3% após a divulgação de dados bem abaixo do esperado para o IPCA de junho. A equipe da Genial Investimentos vai na mesma linha e diz que o momento atual não é de rotação ampla para as ações. “A leitura é de apetite tático, sem rotação ampla. Compra-se bancos, duração local e histórias domésticas quando a curva cede, mas o teto do alívio segue definido por forças estruturais”, afirmam os profissionais, em relatório. Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 14,1 bilhões e de R$ 19,2 bilhões na B3. Em Wall Street, os principais índices também terminaram no vermelho: o Nasdaq cedeu 1,55%, o S&P 500 recuou 0,79%, e o Dow Jones perdeu 0,26%.
Ibovespa cede 1,20% com aumento das tensões entre EUA e Irã
Alta forte da Petrobras limita perdas do principal índice de ações da B3 em sessão de aversão global a risco






