Gerando resumoO Brasil deve crescer 2,4% neste ano e 2,2% no próximo, sem grande mudança em relação aos anos anteriores e pouco afetado pela guerra no Oriente Médio, segundo as novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). PUBLICIDADEA economia global, avaliam técnicos do Fundo, tem enfrentado o choque da guerra “melhor do que se temia”. Apesar do conflito, a produção mundial deve aumentar 3% em 2026 e 3,4% em 2027, pouco abaixo da média anual de 3,5% observada entre 2024 e 2025.Pelas projeções do FMI, as economias emergentes e em desenvolvimento podem crescer 3,8% neste ano e 4,5% no próximo, lideradas pela Índia (6,4% e 6.7%) e pela China (4,6% e 4,1%). O avanço geral da América Latina e do Caribe deve ser maior do que o brasileiro, chegando a 2,4% e 2,7% nestes dois anos. O México deve alcançar taxas anuais de 1,2% e 1,9%.PublicidadeAs contas federais continuarão deficitárias, inevitavelmente, se o governo continuar gastando sem cuidar do controle de suas finanças Foto: André Dusek/EstadãoNesse quadro, as estimativas para o Brasil são melhores que a mediana das projeções do mercado financeiro local. Essa mediana indica expansão de 1,99% em 2026, 1,65% em 2027 e 2% nos dois anos seguintes. O mercado também aponta inflação acima da meta central de 3% neste ano (5,16%) e nos próximos (4,20% e 3,70%). Os juros básicos, obviamente, devem manter-se elevados – 14% no final deste ano e, nos dois seguintes, 12% e 10,50%.Com esse custo de capital, dificilmente os investimentos em bens de produção serão suficientes para impulsionar um avanço econômico mais acelerado. Quem tiver dinheiro para investir poderá ganhar muito mais facilmente aplicando em títulos de crédito e financiando a cobertura do déficit público. PublicidadeAs contas federais continuarão deficitárias, inevitavelmente, se o governo continuar gastando sem cuidar do controle de suas finanças. A alternativa de cobrir a gastança com aumento de impostos será desastrosa para a atividade econômica e o emprego. Aumentar o endividamento para sustentar a despesa será uma jogada também perigosa.Só há um meio de aumentar o crescimento de forma segura, livrando o País do atoleiro dos 2%. A solução é elevar o investimento produtivo. Será preciso mobilizar capitais nacionais e recursos externos de longo prazo. Seja quem for o presidente, o governo só atrairá os parceiros necessários se mostrar disposição de sustentar, com seriedade, compromissos de longo prazo. Sem isso, restará, na melhor hipótese, o voo de galinha.