O novo bloqueio naval, segundo um comunicado da Marinha dos EUA, entrará em vigor a partir da noite de terça-feira (14). ➡️ Durante a guerra no Oriente Médio, navios militares dos EUA fizeram um bloqueio naval na entrada do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, a qualquer embarcação iraniana, transportando produtos iranianos ou que tivesse origem ou destino em portos iranianos. O bloqueio foi uma retaliação ao fechamento do Irã no Estreito de Ormuz, na prática controlado por Teerã. Desta vez, segundo o comunicado da Marinha, o bloqueio será feito ao longo de toda a costa do Irã, com o intuito de reprimir o tráfego de embarcações de qualquer porto ou terminal de petróleo iranianos. A Marinha norte-americana disse que o "trânsito neutro" será liberado, assim como navios com suprimentos humanitários. Todas as embarcações, no entanto, serão submetidas a inspeções por militares. 👉 O levantamento do bloqueio naval norte-americano na entrada do Estreito de Ormuz era um dos pontos do acordo de paz entre EUA e Irã que as duas partes assinaram em junho. Trump diz que tomará o controle de Ormuz Também nesta segunda-feira, Donald Trump afirmou que vai "tomar o controle do Estreito de Ormuz". Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump disse que os EUA serão "os guardiões do estreito" e que deveriam ser "reembolsados" caso liberem a via marítima. "Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse ele em uma entrevista por telefone no programa "Fox & Friends", condenando as autoridades iranianas: "Tínhamos um acordo e eles o quebraram. São um grupo de pessoas ruins". "O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu. "Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados ​​em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou Trump. 💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área. 💡 Contexto: o memorando de paz assinado por EUA e Irã — e agora deixado de lado — previa que a via marítima fosse reaberta, sem qualquer cobrança durante 60 dias. Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo deveriam negociar a futura administração da via. Donald Trump — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst Irã rebate Trump A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" de Ormuz. "O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã". A Guarda Revolucionária iraniana também se pronunciou e declarou que continua afirmando sua "autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz". "Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás", ameaçou o porta-voz. Irã diz que estreito está fechado, EUA negam Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã — Foto: REUTERS / Stringer "Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", declarou a Guarda Revolucionária, acrescentando: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar". EUA lançam novos ataques contra o Irã “A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta". Entenda a sequência de ataques Quando aconteceu Como aconteceu Os detalhes Início da escalada (domingo, 12) Irã ataca navio de contêineres no Estreito de Ormuz Uma embarcação com bandeira do Chipre foi atingida por uma ofensiva iraniana, sofreu danos significativos na casa de máquinas, ficou em chamas e um tripulante indiano desapareceu. Outros 23 integrantes da tripulação foram resgatados. Após o ataque ao navio Estados Unidos realizam os primeiros ataques contra o Irã As forças americanas atingiram cerca de 140 alvos, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares. Em resposta à ofensiva americana Irã lança ataques contra países da região Teerã realizou ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã, países que abrigam bases ou instalações militares dos Estados Unidos e têm importância estratégica no Golfo. Durante a retaliação iraniana Países do Golfo acionam alertas e interceptam ataques O Catar informou ter interceptado ataques iranianos; três pessoas ficaram feridas por estilhaços. O Kuwait relatou danos em postos de fronteira e em uma plataforma de exploração marítima. A Jordânia informou que três mísseis iranianos atingiram áreas do país, causando danos leves. Mais tarde no domingo Estados Unidos realizam novos ataques contra o Irã Uma nova rodada de ataques americanos atingiu sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo uma autoridade dos EUA. Explosões foram registradas em Bandar Abbas e Hajiabad, além de ataques relatados na Ilha de Qeshm. Após os novos ataques Irã ameaça ampliar resposta e afirma ter fechado o Estreito de Ormuz O governo iraniano declarou que a passagem permaneceria fechada até a redução das tensões e ameaçou atacar “bases inimigas adicionais” na região. Os EUA afirmaram que o estreito continuava aberto.