Declarações do presidente americano ocorrem em um momento de escalada de tensões entre Washington e Teerã após sucessivos ataques trocados ao longo do fim de semana e desta segunda-feira O presidente dos EUA, Donald Trump, gesticula enquanto fala com a imprensa no dia da cúpula de líderes da Otan em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Umit Bektas O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos serão os “guardiões” do Estreito de Ormuz e que o país está assumindo o controle da via marítima, considerada essencial para o transporte global de petróleo e gás natural. "Vamos manter o estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez possamos nos chamar de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse, em entrevista por telefone ao programa "Fox & Friends", da Fox News. "Nós vamos protegê-lo. E vamos ser pagos por protegê-lo — muito dinheiro", afirmou Trump. [...] Vamos ser reembolsados, porque os outros países são muito ricos. Eles estão do nosso lado e não se pode esperar que façamos isso de graça", acrescentou o republicano. Ainda na entrevista concedida à Fox nesta segunda-feira, Trump voltou a dizer que o país persa violou os termos do acordo e que, por essa razão, serão bombardeados “com muita força”. "Tínhamos um acordo. Era um acordo fechado, e eles [Irã] o romperam. Eles sempre rompem. Fizemos dez acordos com essas pessoas e, por isso, vamos atacá-los com muita força", disse o presidente. As declarações de Trump ocorrem em um momento de escalada de tensões entre Washington e Teerã após sucessivos ataques trocados ao longo do fim de semana e desta segunda-feira. Embora um acordo firmado no mês passado entre o presidente americano e seu homólogo iraniano tenha buscado encerrar as hostilidades, os dois países divergem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz. A República Islâmica tem afirmado sucessivas vezes que o memorando de entendimento lhe dá autoridade para regular o tráfego da hidrovia, enquanto os EUA insistem que a passagem deve permanecer aberta à navegação internacional. Após um breve período de normalização, o movimento de navios voltou a cair acentuadamente depois que o Irã atacou, no sábado, um porta-contêineres de bandeira cipriota, acusado de desrespeitar as condições impostas por Teerã para cruzar a hidrovia. A MarineTraffic informou nesta segunda-feira que a atividade de embarcações no estreito caiu cerca de 52% entre 10 e 12 de julho em comparação com a semana anterior. Também nesta segunda-feira, autoridades do Irã voltaram a elevar o tom das ameaças. Entre os integrantes da ala mais conservadora do regime, Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, defendeu uma retaliação contra os EUA pela morte do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, classificando-a como "um direito da nação iraniana", segundo a televisão estatal. Nas últimas semanas, integrantes da linha-dura vêm adotando um discurso cada vez mais favorável à continuidade do confronto. Além disso, as Forças Armadas iranianas anunciaram uma nova rodada de ataques contra instalações militares americanas no Oriente Médio, com alvos na Jordânia, no Bahrein, no Kuwait e em Omã. Os EUA, em contrapartida, disseram ter atacado sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações no domingo, utilizando aeronaves, navios de guerra e drones. A escalada é o episódio mais recente de quase uma semana de confrontos entre Washington e Teerã em torno do controle do estreito, rota por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Com as perspectivas de uma solução diplomática cada vez mais distantes, o petróleo Brent subiu cerca de 3% nesta segunda-feira, para aproximadamente US$ 78 por barril.
Trump diz que EUA serão os ‘guardiões’ do Estreito de Ormuz
Declarações do presidente americano ocorrem em um momento de escalada de tensões entre Washington e Teerã após sucessivos ataques trocados ao longo do fim de semana e desta segunda-feira















