"Filha, dos 12 netos, seis são homens. A gente vai colocá-los para trabalhar. Mas não se preocupe, as mulheres vão receber dinheiro a vida toda." Isso foi o que Ticiana Rolim Queiroz, 44, ouviu de seu pai, aos 17 anos.
Ele era vice-presidente do grupo C.Rolim, um dos maiores conglomerados empresariais do Ceará. Cursando administração, Ticiana conta que, naquele momento, ficou sem chão.
Mesmo inconformada, ela não se abateu. "Ele e meus tios, homens, estavam reproduzindo um modelo antigo, e não aceitei aquilo." Começou a vender bijuteria e avisou que não iria mais receber mesada do pai.
O dinheiro das vendas não era muito, mas tinha um grande valor. "Passei a ter um lugar de pertencimento no mundo."
A decisão da família reflete uma das conclusões da pesquisa "Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras", feita pelo Estúdio Clarice, organização de inteligência e criação que investiga e fomenta o poder feminino por meio de pesquisas e produções audiovisuais, na qual Ticiana foi uma das entrevistadas: mulheres são empurradas para fora dos espaços públicos.






