Formada em Design de Interiores, Mariane Domingos assumiu a operação da empresa familiar de polvilho durante a internação do pai, em 2020; hoje, conduz a expansão da Três Coqueiros para os Estados Unidos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mariane Domingos deixou o design de interiores para assumir o negócio da família e mira os EUA — Foto: Divulgação Para algumas mulheres, a empresa da família faz parte da vida profissional desde cedo. Para outras, a sucessão aparece depois de uma trajetória construída longe dos negócios dos pais. Luiza Helena Trajano, por exemplo, começou a trabalhar aos 12 anos, durante as férias escolares, na loja dos tios em Franca, no interior de São Paulo. Ao longo das décadas seguintes, passou por diferentes áreas do Magazine Luiza até assumir a liderança da companhia. A história de Mariane Domingos segue outro percurso. Formada em Design de Interiores, ela trabalhou com arquitetura e morou em Florianópolis antes de se aproximar definitivamente dos negócios da família. Em 2020, a internação do pai, Sálvio Assis Domingos, por cerca de 90 dias, fez com que ela assumisse a operação em meio à safra da mandioca. A experiência acabou alterando o caminho profissional que havia escolhido. A empresa, a Três Coqueiros, nasceu de uma atividade que atravessa gerações da família. Os bisavós de Mariane cultivavam mandioca no interior de Santa Catarina, e o conhecimento passou pelos pequenos engenhos até ser transformado em negócio pelos pais. Hoje, ela divide a gestão com o irmão, Pedro Domingos, diretor financeiro. "Quando olhamos para trás, entendemos quantas pessoas contribuíram para que chegássemos até aqui. Internacionalizar a Três Coqueiros significa honrar essa história, valorizar os pequenos agricultores e mostrar ao mundo o potencial da mandioca brasileira", afirma Mariane. Embora tenha crescido acompanhando a rotina da fábrica, ela inicialmente escolheu outra área. A aproximação com o negócio se tornou mais frequente a partir de 2018, dois anos antes de assumir a operação durante a ausência do pai. O que começou como uma necessidade daquele momento passou a fazer parte de sua trajetória profissional. Atualmente, Mariane conduz a estratégia da companhia, acompanha o relacionamento com produtores rurais e participa dos projetos de expansão. São aproximadamente 30 funcionários e uma produção anual de 1.500 toneladas de polvilho, destinada principalmente aos mercados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Entre os novos caminhos está a entrada nos Estados Unidos. A empresa começou a estruturar a internacionalização com o objetivo de chegar inicialmente aos brasileiros que vivem no país e já conhecem o polvilho, ingrediente presente em receitas como pão de queijo, biscoitos e bolos. A estratégia também considera consumidores interessados em alimentos sem glúten e alternativas à farinha de trigo. O projeto é desenvolvido com a World Bridge Brands (WBB), responsável pela estratégia de posicionamento e pelas negociações com canais de varejo. Nathali Oliveira e Paulo Argollo estão à frente do trabalho. Enquanto busca novos mercados, a produção mantém etapas ligadas aos métodos adotados pela família. A mandioca é adquirida de pequenos produtores locais, e o amido passa por aproximadamente quatro meses de fermentação natural antes da secagem ao sol. "Nosso polvilho é produzido respeitando o tempo da fermentação e cada etapa do processo. Não existe um ingrediente capaz de substituir esse tempo. É mandioca, fermentação natural e secagem ao sol. Esse cuidado faz toda a diferença na qualidade do produto", explica Mariane. Também são realizadas análises laboratoriais para estudar as propriedades do polvilho fermentado e avaliar o desenvolvimento de novos ingredientes e produtos à base de mandioca. A pesquisa acompanha a busca por outras possibilidades de uso da matéria-prima, enquanto parte do processo permanece ligada às práticas transmitidas pela família. Para Mariane, a expansão internacional também está relacionada à possibilidade de apresentar a mandioca brasileira a consumidores de outros países. "Nós não queremos apenas exportar polvilho. Queremos mostrar ao mundo o potencial da mandioca brasileira. Acreditamos que ela será uma das matérias-primas mais importantes para a alimentação do futuro, especialmente em produtos sem glúten, ingredientes funcionais e alimentos mais naturais", afirma.
Ela deixou a arquitetura para assumir o negócio da família após uma mudança inesperada
Formada em Design de Interiores, Mariane Domingos assumiu a operação da empresa familiar de polvilho durante a internação do pai, em 2020; hoje, conduz a expansão da Três Coqueiros para os Estados Unidos






