A Folha testou versões paraguaias das "canetas emagrecedoras" vendidas clandestinamente no Brasil. O procedimento que colocou as substâncias à prova também acabou testando o jornal.

A reportagem foi ao ar no site no dia 4: "Canetas emagrecedoras do Paraguai têm princípio ativo equivalente ao do Mounjaro, mostra análise da Unicamp". Havia ressalvas importantes, algumas já na linha-fina, subtítulo da reportagem: "Análise verificou concentração e estrutura molecular, mas não pureza, eficácia e segurança" e "Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, diz que ter a mesma substância não significa que produtos sejam iguais". Ainda assim, elas eram insuficientes, e o título soava mais inadequado quanto mais a leitura avançava.

Um dos principais alertas ficou enterrado depois do 20º parágrafo: "A amostra de Gluconex (...) apresentou concentração muito maior que a informada pelo fabricante" e "quem utiliza esse medicamento corre risco", segundo José Luiz da Costa, professor de toxicologia e coordenador do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) da Unicamp, que fez os testes.

Outros especialistas chamavam a atenção, no texto, para eventuais problemas de composição e armazenagem. Advogados alertavam para risco jurídico e crimes que poderiam ser associados à venda e à compra dos produtos. Nesse ponto, havia ruído em relação ao Manual da Redação, segundo o qual "a Folha não admite que seus profissionais pratiquem ato ilegal, antiético ou desonesto para obter informações". O jornal responde que "todo o processo foi desenhado com assessoria jurídica".