Com as relações do Brasil com os Estados Unidos atravessando uma turbulência medíocre, com personagens de segunda, chega a ser um bálsamo ir ao livro "A Monarquia e a República: Aspectos das Relações entre Brasil e Estados Unidos durante o Império", do diplomata Marcelo Rafaelli. Foi editado pela Fundação Alexandre de Gusmão, cuja livraria eletrônica oferece tesouros gratuitos.
Rafaelli consultou quatro arquivos e bibliotecas brasileiras, dois americanos e mais dois ingleses. Foram milhares de despachos que retratam diplomatas profissionais defendendo os interesses de seus países, explicando e até mesmo enrolando-se. (Dois ministros americanos mataram-se.)
Tempos curiosos. Os Estados Unidos combatiam o contrabando de negros e vendiam barcos aos traficantes. O Brasil declarava-se neutro diante da Guerra da Secessão (1861-1865), mas dava boa vida aos rebeldes. Em 1864, um navio da União sequestrou um vapor rebelde na baía de Salvador. (Como registrou o ministro americano James Webb em 1861, "os grandes proprietários de escravos que governam o país, cujas simpatias estão todas com nossos rebeldes".)
Em 1826, os americanos já tinham um olho gordo na Amazônia, mas dom Pedro 2º só abriu o rio à navegação 40 anos depois, num hábil exercício de enrolação na defesa da soberania nacional.








