O comitê disciplinar da Fifa, composto por 18 pessoas, tem um elenco diversificado, incluindo um nobre tonganês, um coronel togolês e o chefe de um conglomerado de alimentos e iluminação sediado em Trinidad e Tobago.

No entanto, as últimas 110 decisões publicadas pelo comitê foram tomadas por apenas uma pessoa, já que o presidente —o ex-parlamentar emiradense Mohammad Al Kamali— tem permissão para fazer julgamentos sozinho ou delegar esse poder a outra pessoa. Nem todas as decisões são tornadas públicas.

O funcionamento opaco do órgão foi colocado sob os holofotes internacionais devido à controversa suspensão de uma punição de um jogo aplicada ao artilheiro da seleção dos EUA, Folarin Balogun, após pressão do presidente Donald Trump. A medida permitiu que ele jogasse contra a Bélgica nas fases eliminatórias da Copa do Mundo, apesar de ter recebido cartão vermelho na partida anterior.

A decisão gerou indignação em todo o mundo do futebol e reclamações de especialistas jurídicos de que a Fifa aplicou incorretamente suas próprias regras, com críticos afirmando que os diversos comitês e regulamentos da organização apenas criam uma aparência de boa governança.

"A Fifa se esconde atrás da suposta independência de seu comitê disciplinar", disse Miguel Maduro, ex-presidente do comitê de governança da Fifa, que foi contratado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, em 2016, mas foi afastado em menos de um ano no cargo.