No início deste mês, água é a palavra a ocupar as duas pontas da política da China.
Na semana passada, três quebra-gelos de pesquisa deixaram o porto de Dalian rumo ao Ártico na 16ª expedição científica do país à região, numa missão que reunirá quatro navios e 361 pessoas até outubro.
Dias depois, o serviço meteorológico emitiu um alerta laranja para o supertufão Bavi, que sustentou intensidade máxima por mais de cinco dias e deve descarregar até 400 milímetros de chuva sobre o litoral de Fujian e Zhejiang.
À primeira vista, o quadro compõe uma contradição confortável, a do maior emissor de carbono do mundo que manda cientistas medirem o gelo derretido pelas próprias chaminés, enquanto tempestades e tornados matam ao menos 17 pessoas no centro e no sul do país. A leitura da hipocrisia, porém, é a que menos explica o que tem acontecido aqui.
O que a China montou diante do aquecimento é uma divisão de trabalho. Em casa, o clima é tratado como problema de engenharia e defesa civil. Do lado de fora, como fronteira a ocupar antes dos rivais. A frota que zarpou para o norte não foi estudar o degelo para revertê-lo, mas mapear o que ele revela.














