Na Europa, o verão também mostra altas temperaturas; OMS alertou para impacto crescente do aquecimento global no continente 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A base militar argentina Esperanza a partir do navio oceanográfico Ary Rongel da Marinha do Brasil na Antártica — Foto: VANDERLEI ALMEIDA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 18:51 Mudanças Climáticas: Antártida e Europa Enfrentam Recordes Alarmantes A Antártida registrou temperaturas recordes de 15,4°C em pleno inverno, sinalizando mudanças climáticas drásticas, com degelo e chuvas em áreas normalmente nevadas. Na Europa, a OMS alertou que ondas de calor extremas causaram mais de 200 mil mortes nos últimos quatro anos, destacando a urgência de medidas preventivas contra o aquecimento global, que afeta severamente países como Itália e Grécia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Para climatologistas, os sinais das mudanças climáticas ficaram evidentes em dois extremos do planeta nesta semana. Na Antártida, uma onda de calor elevou as temperaturas a níveis recordes em pleno inverno austral, provocando degelo incomum e chuva em regiões que normalmente estariam cobertas de neve. Já na Europa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência de ondas de calor extremas nos últimos quatro anos. A península antártica registrou em 6 de junho uma temperatura de 15,4°C na Base Esperanza, instalação científica argentina localizada na península Trinidad. O valor superou o recorde anterior para o mês de junho, de 13,3°C, registrado em 1998, e ficou muito acima da média histórica das máximas para o período, de -6,2°C. — Foram batidos recordes de temperatura muito altas, muito inusuais para a época — afirmou o climatologista José Luis Stella, do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina, em entrevista à AFP. Segundo ele, embora toda a Argentina tenha registrado temperaturas acima do normal no início de junho, na península antártica foram observadas marcas de "até 20°C acima da média", segundo Stella. Outras bases argentinas também registraram recordes entre os dias 5 e 6 de junho. Em Marambio, os termômetros chegaram a 11,8°C, superando a máxima anterior de 9,2°C. Já na Base San Martín, a temperatura atingiu 9,4°C, acima do recorde anterior de 7,8°C. As médias máximas de junho nesses locais são de -10,7°C e -5,6°C, respectivamente. Para Raúl Cordero, acadêmico da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, a onda de calor não representa um episódio isolado, mas confirma uma tendência. O pesquisador acrescenta que, sem a contenção do aquecimento global, eventos semelhantes devem se tornar cada vez mais frequentes. Já Thomas Caton Harrison, cientista do clima do Serviço Antártico Britânico, afirmou que a influência das mudanças climáticas na região é reconhecida, mas envolve fatores complexos. — Dado que a Antártida experimenta grandes oscilações de temperatura, é necessário compilar uma grande quantidade de dados ao longo de muitos anos para compreender o clima subjacente — explicou. Os especialistas concordam, porém, que o aumento das temperaturas já produz efeitos visíveis. Um deles é a ocorrência de chuva em vez de neve. Segundo Harrison, o fenômeno afeta ecossistemas polares, incluindo colônias de pinguins, além de criar dificuldades operacionais para pesquisadores instalados em bases científicas. Nas últimas três semanas, as temperaturas máximas diárias permaneceram acima de zero na Base Esperanza. De acordo com Cordero, isso contribuiu para que extensas áreas do extremo norte do continente permanecessem sem neve. — Trata-se de um postal insólito na paisagem antártica durante o inverno — disse. Mulher prende o cabelo sob guarda-chuva em Paris durante onda de calor recorde que atinge a Europa Ocidental, em 27 de maio de 2026 — Foto: Ludovic Marin / AFP Europa no calor Enquanto a Antártida registrava temperaturas excepcionalmente elevadas, a OMS divulgou um alerta sobre os impactos já observados na Europa. Segundo a entidade, mais de 200 mil pessoas morreram em consequência de ondas de calor extremas nos últimos quatro anos. O balanço foi apresentado durante o lançamento de novas diretrizes para auxiliar governos a protegerem suas populações diante do aumento das temperaturas. — As ondas de calor não são mais anomalias meteorológicas excepcionais — afirmou a organização. Ao divulgar os dados, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri Kluge, destacou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada. — Na União Europeia e nos países associados, a maioria dessas mortes era totalmente evitável — declarou. Além das vítimas fatais, a entidade alertou para os impactos físicos e mentais causados pelo calor extremo sobre milhões de pessoas. A OMS ressalta que a Europa é atualmente o continente que mais aquece no planeta, com temperaturas aumentando mais rapidamente do que em outras regiões. Países como Itália, Espanha e Grécia estão entre os mais afetados pelas mortes prematuras associadas às ondas de calor. Diante desse cenário, a organização pediu que governos reforcem medidas preventivas, como sistemas de alerta precoce, planos de ação para períodos de calor intenso e políticas voltadas à redução das emissões responsáveis pelas mudanças climáticas. — O calor é um assassino silencioso, mas não é inevitável — destacou a OMS.