Governo se prepara para cenários a partir da calssificação de fações criminosas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Palácio do Planalto — Foto: Cristiano Mariz/Agência O GLOBO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 17:49 Lula Alinha-se ao Itamaraty Sobre Risco de Ação Militar dos EUA O presidente Lula adota a visão do Itamaraty sobre o risco de ação militar dos EUA no Brasil devido à classificação de facções criminosas como terroristas, mas considera sanções econômicas mais prováveis. O Itamaraty aponta a possibilidade remota de intervenção militar, contestada pelo Departamento de Estado americano. O Ministério da Defesa não vê risco militar, mas monitora o tema. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o entendimento do Itamaraty, que vê margem para ação militar dos Estados Unidos no Brasil a partir da classificação das Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa hipótese, porém, é vista como remota, diferente de sanções econômicas, consideradas um cenário mais "real e imediato". Esta semana, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), em ofício à Câmara dos Deputados, afirmou que a classificação abre margem para o uso da força militar pelo governo americano em território brasileiro. O Palácio do Planalto concorda com a posição do Itamaraty. “Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, diz trecho do documento. Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que a hipótese levantada pelo Itamaraty é "absurda" e que o governo dos EUA tem trabalhado para combater essas organizações que hoje têm atuação no território americano. A possibilidade de uma intervenção militar é considerada pelo Palácio do Planalto levando em consideração a própria legislação americana, que permite que os EUA lancem mão de ação militar em território estrangeiro ao mudar a classificação de criminosos para terroristas. O tema é tratado como possível, ainda que remoto, especialmente em mar territorial. Auxiliares de Lula, no entanto, pontuam que sanções financeiras ao Brasil por conta da classificação são consideradas como prováveis. De acordo com a lei dos EUA, qualquer pessoa ou empresa americana ou que atue no país que fizer negócios, enviar ou receber dinheiro ou serviços de grupos terroristas pode ser penalizada criminalmente. Indiretamente, isso vale para qualquer empresa, entidade, fundos, indústria ou pessoa que tenha conexões com essas facções criminosas, agora consideradas terroristas. Isso poderia, em tese, fazer com que empresas americanas tenham receio de fazer negócios com determinados setores por temor de que haja envolvimento com organizações criminosas. Investigações recentes da Polícia Federal, da Receita e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) mostraram a infiltração do PCC em diversos setores da economia, de combustíveis a fintechs, de fundos de investimento imobiliários até a indústria petroquímica. Como mostrou O GLOBO, o Ministério da Defesa diverge do Itamaraty e não vê risco para uma ação militar dos Estados Unidos no Brasil. A pasta vem monitorando o tema enquanto o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, tem feito um périplo de conversas com suas contrapartes na América do Sul. Após visitar Argentina e Chile, Múcio esteve essa semana no Peru, onde ocorreu a Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA). Na quarta-feira, durante a programação do encontro, conversou com vice-ministro de Guerra dos Estados Unidos, Elbridge Colby. De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Defesa, Colby pontuou na reunião que os EUA buscam parceiros na América do Sul para atuar no combate a organizações criminosas e afirmou que vê o Brasil como "um grande parceiro em potencial".