O escândalo do Banco Master é de direita ou de esquerda?Estadão cria ferramenta detalhando conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Crédito: Daniel WetermanGerando resumoAté dois meses antes da liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro, a Ambipar tinha cerca de R$ 700 milhões de CDBs da instituição financeira, afirmam pessoas próximas à empresa de gestão ambiental. Em documento divulgado pela companhia nesta quinta-feira, 9, a Ambipar informa que carregava cotas de um fundo formado por CDBs de instituições financeiras até setembro, mesmo mês em que o Banco Central rejeitou a proposta do Banco de Brasília (BRB) para aquisição do Master.Procurada, a Ambipar optou por não comentar.Estes investimentos em CDBs foram posteriormente substituídos no fundo por pré-precatórios federais que, conforme documento no site da empresa, contabilizavam R$ 1,2 bilhão a valor de face em setembro e dezembro de 2025. A empresa, em recuperação judicial, afirma ter encerrado o ano passado com caixa de R$ 2,5 bilhões.PublicidadeAmbipar: dúvidas sobre o caixa disponível, após recuperação judicial Foto: Ambipar/DivulgaçãoPUBLICIDADEPré-precatórios são títulos de dívida pública, numa fase anterior à emissão oficial do precatório em si, isto é, um crédito já reconhecido judicialmente contra o ente público (União, estados ou municípios), mas que ainda está na etapa de cálculo de valores, discussão de recursos menores ou aguardando a formalização burocrática pelo tribunal. Essa posição de R$ 1,2 bilhão considera o valor de face dos papéis, portanto, não é possível saber de fato seu valor. De acordo com fontes próximas à empresa, a quebra do Master acentuou os problemas da Ambipar e os pré-precatórios eram a única solução disponível. Além disso, a Ambipar informa que tinha R$ 247 milhões em investimento em instituição financeira em processo de liquidação, sem especificar qual, e mais de R$ 500 milhões em ações da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae). PublicidadeCom esse investimento, a Ambipar se tornou dona de uma fatia de 23% no capital social da empresa. A Ambipar informa que, durante o segundo trimestre de 2026, negociou essa fatia na Emae e que, neste momento, não tem mais qualquer investimento na companhia.Saiba mais:BC pede para participar da recuperação judicial da Ambipar; entenda por quêSantander se une a grupo de bancos para entrar na recuperação da Ambipar nos EUABancos tentam barrar nos EUA plano da Ambipar que prioriza credor externoEsta é a primeira vez que números sobre o caixa da Ambipar se tornam públicos. Eles haviam sido entregues em sigilo à Justiça do Rio de Janeiro, no pedido de recuperação judicial. As informações não estão auditadas.Segundo os dados do site da companhia, havia R$ 1,2 bilhão em recursos alocados em fundos de investimento em créditos judiciais, os quais, de acordo com explicações que constam no mesmo material, estavam anteriormente em cotas de fundos de CDBs.PublicidadeEm recursos líquidos, ou seja, caixa e equivalente de caixa, a Ambipar tinha R$ 387,9 milhões em setembro passado, enquanto R$ 227,3 milhões estavam em bancos de primeira linha. Essas posições se alteraram em dezembro para R$ 250,8 milhões e R$ 44,4 milhões, respectivamente, somando R$ 295,1 milhões. O documento mostra também que, em fevereiro de 2026, a posição em caixa e equivalente de caixa entre os investimentos em bancos de primeira linha estava em R$ 280,1 milhões. A Ambipar estima que, no fim deste ano, essa posição alcance R$ 468 milhões.Os números relatados mostram também R$ 237 milhões em investimentos mantidos em uma instituição atualmente em processo de liquidação. A Ambipar diz que esse processo não havia sido iniciado em dezembro de 2025. A posição não se alterou de setembro para dezembro.PublicidadeAmbipar entrou em recuperação judicial com caixa de R$ 4,7 biPUBLICIDADEQuando a Ambipar entrou com pedido de proteção na Justiça contra credores, uma das principais questões era o que havia acontecido com o caixa da Ambipar. Na ocasião, o Estadão/Broadcast revelou que os bancos estavam na caça do caixa de Ambipar e haviam identificado apenas cerca de R$ 400 milhões.Analistas também questionavam a mudança abrupta no caixa da companhia, já no segundo trimestre de 2025, no último balanço divulgado. A empresa mostrava como sendo de R$ 4,7 bilhões à época, sendo que R$ 2 bilhões apareciam dentro de uma estrutura de fundo de investimento em direito creditório (Fidc), sem esclarecimentos.