Presidente afirmou que o encontro com ministros evidenciou o potencial tecnológico e científico do Brasil em um setor que é visto como uma área dominada pela China O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo mudará de postura no debate sobre minerais críticos e terras raras. Ele descartou a possibilidade de o Brasil se limitar à exportação de matéria-prima e disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "pode começar a ficar preocupado" com o Brasil nesse setor, e não apenas com a China, principal produtora mundial desses insumos. "Essa reunião de hoje é a mudança da nossa história nessa questão das terras raras e minerais críticos. Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentores de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz. Nós não queremos ser vendedores de matéria-prima, nós queremos ser exportadores de inteligência, de conhecimento", afirmou após reunião no Palácio do Planalto. Na avaliação do presidente, a decisão sobre a estratégia da cadeia de exploração das terras raras poderá garantir ao Brasil soberania sobre minérios, financeira, tecnológica e de conhecimento. "A partir dessa reunião, posso dizer para vocês que as coisas vão andar neste governo. Não será o mesmo debate", afirmou, acrescentando que as discussões sobre o tema “mudaram de patamar”. "Hoje descobri o potencial que temos, inclusive o potencial de conhecimento." Para o petista, faltava uma decisão política, de governo, sobre qual caminho o país deveria adotar para o setor. O presidente também mencionou a criação de um conselho vinculado à Presidência para coordenar a política nacional de minerais críticos e estratégicos. O colegiado ficará responsável, entre outras atribuições, por definir projetos prioritários, estabelecer critérios de enquadramento, segundo trechos do projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados. Segundo Lula, o encontro evidenciou o potencial tecnológico e científico do Brasil em um setor que, na avaliação do presidente, é visto como uma área dominada pela China. “Ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada a ser a única do mundo [na exploração de minerais críticos], e da inveja do Trump, de querer tomar o conhecimento da China”, pontuou. Apesar de o Brasil ter a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o processamento dos minerais críticos ainda é incipiente. Por causa do potencial brasileiro, os Estados Unidos afirmam que o país pode desempenhar um papel central no desenvolvimento de cadeias globais de suprimento destes elementos nos médio e longo prazos. O interesse americano está ligado à necessidade de um fornecedor confiável desses produtos. A China, rival dos EUA no posto de potência econômica e geopolítica mundial, é a principal produtora e beneficiadora de minerais críticos. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula diz que Brasil ‘mudará história’ sobre terras raras: ‘Trump pode se preocupar’
Presidente afirmou que o encontro com ministros evidenciou o potencial tecnológico e científico do Brasil em um setor que é visto como uma área dominada pela China










