Canoas foi uma das cidades mais afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 Foto: Wilton Júnior/Estadão - 10/05/2024A Tenda desistiu de fazer um grande empreendimento com 1,5 mil casas que seriam destinadas às vítimas das enchentes na cidade de Canoas, uma das mais afetadas pela catástrofe que assolou o Rio Grande do Sul em 2024. A decisão veio após a construtora reorganizar suas atividades e chegar à conclusão que não havia mais condições técnicas nem econômicas para viabilizar o empreendimento.PUBLICIDADEO contrato foi oficializado em julho de 2025, numa cerimônia com a Prefeitura de Canoas e representantes do governo federal. A rescisão foi unilateral, sem penalidades para a Tenda.O projeto teria um investimento público de R$ 300 milhões, com financiamento da Caixa Econômica Federal. Este era o maior empreendimento do Minha Casa Minha Vida (MCMV) - Reconstrução, modalidade do programa habitacional orquestrado pelo Ministério das Cidades para prover 3 mil moradias às pessoas desabrigadas pelas enchentes.A previsão era de uma implantação rápida, baseada em peças de madeira pré-moldadas. A Tenda é dona da Alea, divisão de negócios que produz residências a partir de partes estruturais de madeira feitas na sua fábrica, em Jaguariúna (SP). Essas partes seriam levadas para montagem em um grande terreno do bairro Brigadeira, de Canoas.Obras nem começaramMas as obras desse empreendimento não chegaram a ser iniciadas, pois a Alea foi forçada a passar por uma reorganização. A produção de casas pré-fabricadas é uma atividade que o grupo ainda está tentando deslanchar. Ano passado, a empresa descobriu estouros de custos devido a dificuldades em gerir as equipes em um número elevado de empreendimentos ao mesmo tempo. Como resposta, diminuiu os lançamentos, cortou o número de regiões de atuação e passou a empregar trabalhadores próprios em vez de empreiteiros.PublicidadeA despeito das dificuldades enfrentadas na divisão Alea, a Tenda registrou lucro líquido consolidado recorde no ano passado. O grupo lucrou R$ 506 milhões em 2025, um salto de 375% perante 2024, quando registrou R$ 106 milhões. O aumento foi puxado pela expansão dos lançamentos e das vendas totais, reajustes de preços dos imóveis e ganhos de escala. Nos últimos 12 meses, suas ações na bolsa avançaram 45%.Em nota à Coluna, a Tenda explicou que “descontinuou o projeto habitacional previsto para Canoas após reavaliação das condições técnicas e econômico-financeiras necessárias para sua execução no modelo originalmente estruturado”. A companhia acrescentou que “segue comprometida com a agenda de habitação de interesse social no Rio Grande do Sul, onde mantém sua atuação por meio da marca Tenda [construções em paredes de concreto] e de empreendimentos em parceria com o Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e com o Porta de Entrada, do governo estadual”.O Ministério das Cidades informou que a Tenda “desistiu do projeto de maneira unilateral antes do início das obras e comunicou a pasta sobre esta decisão”. Apesar disso, a demanda por moradias em Canoas foi atendida, segundo o governo. Estão sendo destinadas 3,2 mil unidades habitacionais, sendo que 1,5 mil estão em processo de contratação ou construção pelo Minha Casa Minha Vida e 1,6 mil na linha de atendimento Compra Assistida. “O processo de enquadramento e finalização da demanda necessária para atendimento ainda se encontra em curso e, caso se observe a necessidade de novas unidades, serão autorizadas”, acrescentou. A Prefeitura de Canoas também foi procurada, mas não retornou os questionamentos.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 09/07/2026, às 14:56A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.
Tenda desiste de construir 1,5 mil casas para vítimas das chuvas em Canoas
Investimento previsto era de R$ 300 milhões, com financiamento da Caixa Econômica Federal












