Estamos em 2100. É um período difícil para quem está em idade produtiva. Além de ter que lidar com a elevação do nível do mar, IAs rebeldes descontroladas e colegas que, 80 anos após a pandemia, ainda não sabem como silenciar o microfone em uma videochamada, seu salário líquido é mísero. Os impostos para financiar o apoio estatal à vasta população grisalha abocanham uma fatia cada vez maior do seu contracheque. Após um século de gastos com saúde crescendo mais rápido que a economia, sobra pouco para qualquer coisa além de remédios, leitos hospitalares e enfermeiros.

A teoria econômica dá respaldo à ficção científica. Os gastos com saúde dependem de quanto custa prestar os serviços e de quanto tratamento é necessário. Em geral, o primeiro fator aumentou ao longo do tempo. Os economistas atribuem isso à doença de custos de Baumol, diagnosticada por William Baumol, um economista americano. Setores tecnologicamente intensivos (como manufatura ou desenvolvimento de software) se tornam mais produtivos. Setores de serviços intensivos em mão de obra, não. Uma consulta médica leva aproximadamente o mesmo tempo que levava há um século. No entanto, a remuneração dos médicos precisa acompanhar os aumentos em indústrias qualificadas de crescimento mais rápido, ou todos os médicos irão trabalhar no setor de tecnologia. (Baumol observou que um quarteto de cordas ainda levava 45 minutos para executar uma obra de Schubert, mas recebia muito mais do que na época em que o compositor era vivo.)