Redes de ensino investem em observação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Miguel Amaral, de 13 anos, bicampeão no skate: talento descoberto em São Franscisco — Foto: Lana Costa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 18:50 Escolas paulistas adotam "scout" para descobrir talentos esportivos Escolas como Santa Mônica e Rede ZeroHum investem na busca por talentos esportivos através do processo de "scout". Professores observam alunos em aulas e recreios, promovendo competições internas para identificar potenciais atletas. Exemplos de sucesso incluem Fernando Dutra no tênis de mesa e nadadores Maria Clara Angelo e Bernardo Alves. A estratégia visa formar equipes competitivas para eventos como o Intercolegial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os resultados conquistados no Intercolegial costumam ser medidos em medalhas, troféus e recordes. O que raramente aparece ao público é o trabalho realizado nos bastidores para formar as equipes que disputam a principal competição estudantil do estado. Antes de os atletas entrarem em quadra, na piscina ou nas pistas, coordenadores esportivos e professores passam o ano observando alunos, acompanhando competições internas e identificando jovens com potencial para representar suas escolas. Inspirado no modelo utilizado por clubes esportivos, esse processo é conhecido como scout — termo em inglês que significa observação ou prospecção de talentos. Nas escolas, o trabalho envolve desde a análise do desempenho de estudantes durante as aulas de educação física e o recreio até o acompanhamento de competições internas, projetos sociais e atletas já federados. O objetivo é identificar talentos, oferecer oportunidades e montar equipes competitivas para torneios como o Intercolegial. No Santa Mônica Rede de Ensino, esse trabalho mobiliza professores das 14 unidades distribuídas por Rio, Baixada Fluminense e Maricá. Segundo o coordenador de esportes, Luiz Cezar Soares, todos os profissionais recebem orientação para observar alunos que demonstrem aptidão esportiva, mesmo fora das aulas. Além das observações feitas no cotidiano escolar, a rede promove anualmente os chamados meetings, competições internas que funcionam como uma vitrine para revelar novos atletas. Os estudantes que se destacam passam a ser acompanhados mais de perto e, em alguns casos, recebem bolsas de estudo para conciliar a rotina escolar com o desenvolvimento esportivo. — Todos os professores são orientados a fazer observações no dia a dia. Este ano, por exemplo, vamos disputar a natação com 20 atletas que foram selecionados no meeting do ano passado. Os atletas já federados ou que demonstram potencial para chegar a esse nível também recebem bolsas de estudo na rede — explica Soares. Um dos exemplos é Fernando Dutra, de 13 anos, estudante da unidade de Bento Ribeiro. Segundo o coordenador, o adolescente chamou a atenção enquanto jogava tênis de mesa durante o recreio. Depois de ser convidado para integrar a equipe, evoluiu rapidamente, conquistou o título da Liga Escolar e chega ao Intercolegial apontado como uma das apostas na modalidade. A prospecção de talentos também faz parte da rotina da Rede ZeroHum. Coordenado pelo professor Kauffman Ribeiro, o trabalho vai além das unidades escolares e inclui parcerias com projetos esportivos e instituições de Niterói e Seropédica nas modalidades de skate, natação e xadrez. Avaliação preliminar Entre os destaques estão os nadadores Maria Clara Angelo, Bernardo Alves e Gabrielle Miranda, todos de 13 anos. Juntos, eles conquistaram 16 medalhas em outra competição estudantil e agora aparecem entre as principais apostas da escola para o Intercolegial. Outro nome revelado pelo sistema de observação é Miguel Amaral, também de 13 anos, bicampeão da competição no skate. Segundo Ribeiro, antes da integração à equipe esportiva, os estudantes passam por uma avaliação que reúne informações sobre a trajetória de cada atleta. — Solicitamos aos responsáveis uma espécie de currículo esportivo para entender em que nível o aluno está, se já participou de competições, se é federado e quais resultados conquistou. Hoje nosso foco está em modalidades como badminton, lutas, xadrez e tênis de mesa, mas esse monitoramento acontece em várias frentes. A equipe de basquete deste ano, por exemplo, contará com quatro atletas de uma escola de Itaboraí que foram observados por um dos nossos professores. O próprio Miguel foi descoberto andando de skate em São Francisco, bairro de Niterói. Um professor o viu treinando, fez o contato, e hoje ele é atleta federado — conta. Embora cada rede tenha sua metodologia, a lógica é semelhante: ampliar o olhar para além das competições oficiais e transformar o ambiente escolar em um espaço permanente de identificação e desenvolvimento de talentos. Em comum, as escolas apostam que um bom desempenho no Intercolegial começa muito antes do apito inicial, com observação, planejamento e investimento na formação esportiva dos alunos.