Plataformas de IA estão sendo usadas para identificar novos talentos para as equipes de futebol Pelé — Foto: Eurico Dantas/Agência O Globo Antes concentrada apenas na análise de resultados, o uso de inteligência artificial (IA) no esporte agora busca se inserir em etapas iniciais da formação dos times, ajudando na identificação e seleção de jovens talentos que ainda não ingressaram nas equipes de base do futebol, escreve o New York Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (24) sobre como a tecnologia está ajudando na “peneira” das equipes. O jornal aponta que os atletas brasileiros estão sendo avaliados por aplicativos móveis impulsionados por IA, que fariam parte de “um conjunto de novas ferramentas que prometem revolucionar a forma como talentos são descobertos na nação apaixonada por futebol” e que isso funcionaria de forma “mais rápida e eficaz” que um olheiro tradicional. “Plataformas como o Cuju [um aplicativo criado pelo agente esportivo alemão Roger Wittmann] atraíram rapidamente centenas de milhares de usuários em um país onde jogar futebol profissionalmente é um sonho compartilhado por muitos. Essas ferramentas também chamaram a atenção de grandes clubes de futebol; alguns deles já estão utilizando aplicativos para recrutar jogadores”, escreve o New York Times. Esse tipo de seleção baseada em métricas e estatísticas já é comum na Europa, segundo o jornal, mas “no Brasil, profundas desigualdades econômicas e regionais historicamente dificultaram a padronização das práticas de observação e captação de talentos.” Como funciona essa tecnologia Essas plataformas funcionam, em sua maioria, analisando vídeos enviados pelos usuários ou exercícios gravados diretamente nos aplicativos. “Ao avaliar uma ampla gama de habilidades — da velocidade ao controle de bola —, elas geram uma pontuação e incluem os atletas em um banco de dados. Nesse ambiente, agentes em busca de talentos podem encontrá-los, ou os próprios aplicativos podem apresentar os atletas diretamente a clubes específicos”, explica o jornal. Além do aplicativo Cuju, o New York Times também menciona a startup brasileira Footbao, que possui parceria com o clube de futebol Santos. "Eles avaliavam cada jogador em duas dezenas de categorias diferentes. Os vídeos de baixa resolução foram selecionados por inteligência artificial como os mais promissores dentre as dezenas de milhares enviados ao aplicativo por jogadores de todo o Brasil. Após a análise dos vídeos pelos especialistas, a tecnologia de IA classifica os jogadores com base em uma fórmula e gera um relatório detalhado para os clubes”, explica o jornal sobre o funcionamento da startup brasileira. Desvantagens da tecnologia Ainda assim, o New York Times afirma que especialistas consultados argumentam que, embora as ferramentas de IA ajudem a definir critérios precisos e padronizados para os jogadores, a tecnologia pode apresentar pontos cegos. “As métricas podem favorecer atletas mais altos ou mais fortes, deixando passar talentos menos convencionais. Embora grande parte do Brasil esteja conectada, esses aplicativos continuam menos acessíveis a atletas de baixa renda que não dispõem de uma conexão decente ou de uma câmera de celular de qualidade. Além disso, os usuários podem excluir ou substituir os vídeos enviados quantas vezes quiserem, obtendo uma pontuação mais alta que nem sempre reflete suas reais habilidades”, descreve o jornal.