Precisamos olhar para o que acontece no mundo. Qual é o dever moral que cada geração tem com a anterior? 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 19:13 Proposta de Revisão do Salário Mínimo no Brasil para Evitar Crise Econômica O artigo discute a política do salário mínimo no Brasil, propondo uma revisão das regras atuais para evitar um "momento Milei", como ocorreu na Argentina em 2024, quando houve uma perda real de 15% nas aposentadorias. Argumenta que a vinculação do salário mínimo ao INSS e Loas é ineficaz no combate à pobreza, pois apenas uma pequena parcela beneficia os mais pobres. Sugere proteger aposentados contra a inflação com ajustes automáticos pelo INPC, garantindo sustentabilidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Neste quinto artigo com sugestões para o governo do período 2027/30, vamos tratar da regra do salário mínimo, que hoje aumenta todos os anos de acordo com o crescimento defasado do PIB. Imaginemos um país onde a participação dos salários na renda seja constante. É razoável, não? E imaginemos que nesse país o emprego aumente 2% ao ano e o PIB 3% todos os anos. Quanto deveriam aumentar os salários todo ano, nesse caso? A resposta é: 1%, pois, combinado com o aumento do emprego, isso geraria um aumento da massa salarial de 3%, como o PIB. Nesse país hipotético, quem trabalha 40 ou 44 horas por semana teria um aumento anual de 1%. O que o leitor diria se nesse país hipotético os aposentados ganhassem aumentos reais de 3% todos os anos? “Que fácil é ser bom. O difícil é ser justo”, diz Javert, policial de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, a Madelaine, ao advertir, segundo Vargas Llosa, no seu livro “A tentação do impossível”, que “o Bem e o Mal não são, como ele sempre tinha pensado, algo rigidamente separado e reconhecível, mas caminhos que se cruzam e se afastam e às vezes se perdem um do outro sem que seja possível distingui-los”. O fanatismo ideológico que cerca esse tema tende a associar a regra atual do salário mínimo — que gera exatamente o efeito explicado acima — à noção de ser “a favor do povo” e qualquer modificação dela a algo “contra o povo”. Devemos, porém, nos fazer duas perguntas singelas: i) o que se pretende com o aumento real para as aposentadorias do INSS e para o Loas? e ii) a regra é sustentável? A resposta à primeira pergunta é: “ninguém sabe”. A resposta à segunda é: “não”. Não há nenhuma razão para o salário mínimo não aumentar ao longo do tempo, seguindo o progresso de um país. O que está em discussão é: há razões para que esses aumentos sejam incorporados também às aposentadorias? Pontos a lembrar: a) a despesa do INSS era de 2,5% do PIB em 1988 — ano da atual Constituição — e deverá ser da ordem de 8,3% do PIB este ano; b) quando foi lançado o Plano Real, a despesa de INSS/Loas era de 34% do gasto primário federal, e este ano deverá ser de 49% do total; e c) entre 2025 e 2050, o número de brasileiros com 65 anos ou mais de idade aumentará 2,9% a.a. Paulo Tafner e eu demonstramos, em nosso livro “A reforma inacabada”, que de cada R$ 100 de aumento do salário mínimo aplicado ao INSS, apenas R$ 3 vão para aquelas pessoas que se situam entre as 20% mais pobres. Por quê? Não é difícil de entender: é que, no Brasil, simplesmente o mínimo não é mínimo! Há muita gente que ganha menos do que o mínimo no mercado informal. O que se pretende, então, com o aumento do salário mínimo incluindo INSS e Loas? Se a resposta for “combater a miséria”, então que fique claro: trata-se da política social mais ineficiente do mundo, pois de cada R$ 1 gasto com ela, só 3 centavos servem para tal fim. Precisamos olhar para o que acontece no mundo. Qual é o dever moral que cada geração tem com a anterior? Protegê-la. E é isso o que as sociedades procuram, quando no mercado de trabalho o salário é livre e aos aposentados é garantida a proteção contra a inflação. É isso que o Brasil deve fazer: proteger os aposentados e pensionistas contra a inflação. Como? Concedendo aumentos automáticos pelo INPC. Essa é a melhor forma de cuidar dos aposentados. Muitas vezes, me perguntam: “A Previdência vai quebrar?” A Previdência não vai quebrar nunca, no sentido de deixar de pagar para sempre aos aposentados, como acontece com uma empresa que vai à bancarrota e simplesmente não paga mais os salários. Tal coisa não vai ocorrer. O que poderá acontecer, sim, é que um dia chegue o que chamo de “momento Milei”. O que é isso? O que se viu na Argentina em 2024, quando todas as aposentadorias — inclusive as menores — tiveram uma perda real de 15%. Se continuarmos assim, esse dia chegará. Se quisermos evitar isso, precisamos mudar a regra atual, com alguma forma de desvinculação.