Do ponto de vista estritamente produtivo, o pré-sal foi um êxito notável. A extração brasileira de petróleo e gás natural, que era de pouco mais de 1 milhão de barris/dia no começo dos anos 2000, deve alcançar 4,7 milhões neste ano e atingir um pico de 5,3 milhões em 2030, segundo projeções da EPE. Já do ponto de vista das promessas de desenvolvimento que acompanharam a descoberta, o balanço não é tão favorável.
As receitas petrolíferas da União, estados e municípios —considerando apenas royalties, participações especiais e óleo-lucro— saltaram de 0,2% do PIB em 2000 para um pico de 1,3% em 2022, situando-se em 1,1% em 2025. Ainda assim, o país mergulhou em uma crise fiscal aguda em 2015-16, que se cronificou em desequilíbrio estrutural das contas públicas, com trajetória preocupante da dívida. Em bom português: a renda do petróleo não foi poupada nem investida estrategicamente. Foi em boa medida consumida.
Como argumenta a carta do FGV Ibre de junho, para a qual contribuí, o Brasil está diante de uma segunda oportunidade histórica. Extraímos até agora cerca de 1/4 das reservas do pré-sal, e a eventual exploração da Margem Equatorial pode estender por décadas o horizonte de receitas relevantes.










