Os fados do futebol impuseram a justiça negada pelos mortais. Os 4 a 1 aplicados pela Bélgica nos Estados Unidos nas oitavas de final foram a mais emblemática resposta à manipulação descarada levada a cabo, antes da partida, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu sabujo na Fifa, Gianni Infantino. Trump impôs uma espécie de Lei Magnitsky contra o árbitro brasileiro Raphael Claus, que havia expulsado o atacante norte-americano Folarin Balogun no jogo contra a Bósnia, pela fase de 16 avos. Segundo reportagem do diário The New York Times, o republicano, como parte da pressão para reverter o cartão vermelho e liberar Balogun para o confronto decisivo contra os belgas, fez circular denúncias falsas contra Claus, levianamente acusado de integrar um esquema para fraudar o resultado de partidas. “Esse árbitro, que é um pouco suspeito, se você verificar o histórico dele…”, instilou. “Não quero dizer isso porque não gosto de criar polêmicas (sic), mas é muito suspeito. Se quiser, lhe forneço o histórico dele.” O assassinato de reputação não terá consequências no longo prazo, mas obteve o resultado imediato esperado. A Fifa, à revelia de qualquer padrão da própria entidade, anulou a expulsão de ­Balogun. Em comunicado, Infantino­, genuíno aprendiz de João Havelange e ­Joseph Blatter, tentou se desvencilhar do vexame e atribuiu a decisão à comissão de arbitragem. “Os órgãos judiciais são independentes, atuam­ de forma autônoma.” Mas era tarde. Àquela altura, Trump não só havia revelado um telefonema direto ao cartola, mas agradecido, pelas redes sociais, a decisão de suspender a punição. “Obrigado à Fifa por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”