A família Bolsonaro vive um inferno astral há semanas. Primeiro, a revelação das nada republicanas conversas de seu candidato, Flávio, com Daniel Vorcaro, pedindo ao pivô do escândalo do Banco Master mais de 134 milhões de reais para, supostamente, financiar o filme sobre a ascensão política do patriarca. Depois vieram novas revelações sobre contatos mantidos entre o senador e o banqueiro, consolidando o desgaste da candidatura e o declínio de suas intenções de voto.
Como a família não precisa de outros para ter problemas, logo criou para si mesma alguns novos. A madrasta de Flávio e de seus irmãos varões, Michelle, foi a público em longo e elaborado vídeo, lavando nas redes e no noticiário a roupa suja do clã. O interessante dessa divulgação das cizânias internas ao núcleo familiar é que as inconfidências não concernem a desentendimentos típicos da esfera privada – coisas de família –, mas a diferentes estratégias de ação política – coisas de partido. E não surpreende que seja assim, pois o bolsonarismo, como observei anteriormente neste espaço, é antes de tudo um empreendimento político familiar. Em sendo assim, é natural que disputas políticas internas a tal empreendimento rapidamente se convertam em desavenças familiares – e vice-versa. Noutras palavras, o partido político do bolsonarismo é a própria família Bolsonaro. O PL é hospedeiro ocasional, como antes foram PSL, PSC, PP/PPR/PPB, PFL, PTB e PDC.








