As expectativas de que o filme sobre Jair Bolsonaro, o “Dark Horse”, impulsionasse a campanha eleitoral de seu filho, Flávio Bolsonaro, se tornou em uma grande preocupação após a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro ser revelada, avalia o Washington Post em reportagem publicada nesta terça-feira (02). “O filme brasileiro-americano, um drama que mistura fatos com teorias da conspiração, tinha como objetivo mobilizar o movimento político de direita de Bolsonaro antes da eleição presidencial brasileira deste ano", escreve o jornal. “Ele tinha como objetivo impulsionar a campanha de Flávio Bolsonaro, relembrando à base de seu pai os motivos pelos quais o apoiaram e reabilitando sua reputação perante o público em geral.” Porém, os áudios de Bolsonaro pedindo milhões de dólares para Vorcaro, envolvido no escândalo de corrupção do banco Master, para o suposto financiamento do filme sobre seu pai balançou o cenário político. “Flávio Bolsonaro é a primeira figura política brasileira de alto escalão a ter seu pedido de doações feito diretamente a Vorcaro”, segundo o Washington Post. O escândalo também impactou a corrida eleitoral, diz o jornal americano. Bolsonaro, que antes estava empatado com Lula nas pesquisas de intenção de votos, agora está atrás do petista por 4 a 7 pontos percentuais. “Os aliados de Lula esperavam um colapso mais acentuado, mas dizem que o dano pode se agravar à medida que a corrida se intensifica. Eles esperam que o escândalo se torne uma linha de ataque eficaz quando a campanha oficial começar em julho e os candidatos puderem veicular anúncios”, escreve o Washington Post. Como resultado, Bolsonaro substituiu o chefe da sua equipe de comunicação e viajou a Washington na semana passada para um breve encontro com o presidente americano Donald Trump, um aliado da família. A visita a Trump trouxe “uma espécie de vitória” para o brasileiro, segundo o jornal, pois logo após o encontro, os EUA classificaram as duas maiores organizações criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CVR), como organizações terroristas estrangeiras, pauta defendida por Bolsonaro. “O financiamento não é a única disputa do filme. O sindicato dos atores de São Paulo compilou denúncias de pessoas envolvidas na produção que descreveram condições de trabalho precárias no set, incluindo atrasos nos pagamentos, comida estragada, jornadas de trabalho excessivamente longas, abuso verbal e agressão física.” A produtora GoUp Entertainment não respondeu aos questionamentos do jornal.