Reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira (25) afirma que "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), "está virando uma comédia de erros" e ameaça a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, após a revelação de que ele pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar a produção. Leia mais: "Antes mesmo de seu lançamento, a cinebiografia em inglês está virando uma verdadeira comédia de erros, após revelações de que Flávio Bolsonaro obteve milhões de dólares em financiamento para o filme junto a um suposto fraudador acusado de estar por trás do colapso de um banco de US$ 10 bilhões", diz a publicação. O jornal britânico destaca que "Dark Horse" foi programado para coincidir com a candidatura presidencial de Flávio, que disputará a eleição no lugar do pai, preso por tentativa de golpe de Estado. Cita o Banco Master como "uma instituição financeira de médio porte que implodiu em novembro após acusações de uma fraude de US$ 2,3 bilhões" e aponta que Vorcaro "cultivou contatos de alto nível em diversas instituições importantes enquanto ostentava um estilo de vida luxuoso". O escândalo, diz a reportagem, "atingiu figuras de todo o espectro político, incluindo pessoas ligadas ao Legislativo, Supremo Tribunal Federal e Banco Central". O ex-banqueiro, que está preso, tenta fechar um acordo de colaboração premiada com investigadores brasileiros. Na semana passada, a Polícia Federal (PF) rejeitou o acordo com Vorcaro. Já a Procuradoria-Geral da República (PGR) continua em negociação. "O filho mais velho do ex-presidente insistiu que não fez nada de errado em suas negociações com Daniel Vorcaro", diz o Financial Times, acrescentando que Flávio tem dito que conheceu o ex-banqueiro antes das informações de fraude e que não ofereceu nada em troca ao financiamento do filme. A reportagem diz que Flávio "foi arrastado" para o escândalo após revelações de conversas e áudios, pelo site Intercept Brasil, que mostraram o senador pedindo dinheiro ao ex-banqueiro para patrocinar a cinebiografia do pai. Flávio, que inicialmente negava qualquer proximidade com Vorcaro, admitiu a negociação e o pedido de dinheiro após a publicação. O acordo envolveria R$ 134 milhões, mas, segundo o senador, foram repassados R$ 61 milhões. Na semana passada, também veio à tona que ele se encontrou pessoalmente com Vorcaro, na casa do ex-banqueiro, em São Paulo, após a primeira vez em que foi preso, em novembro de 2025. Vorcaro usava tornozeleira eletrônica na ocasião. Flávio admitiu o encontro após reportagem do portal Metrópoles. "[Flávio] Bolsonaro havia anteriormente tentado atribuir a controvérsia do Master ao presidente e ao Partido dos Trabalhadores (PT)" diz o jornal britânico. "Na semana anterior à publicação da reportagem do Intercept, Bolsonaro usou uma camiseta ligando Lula ao Master durante um evento", destaca. O Financial Times diz que tanto as revelações quanto a reposta de Flávio Bolsonaro decepcionaram alguns aliados e que apoiadores temem que mais detalhes prejudiciais venham à tona. A crise, além disso, afirma a reportagem, "levantou dúvidas sobre a viabilidade eleitoral" do senador. 'Dark Horse' A reportagem do jornal britânico também trata sobre o orçamento do filme "Dark Horse", que, segundo profissionais da indústria cinematográfica, supera amplamente produções brasileiras de grande porte, como O Agente Secreto, indicado a quatro Oscars neste ano, que custou R$ 27 milhões (US$ 5,4 milhões). Afirma, além disso, que a ligação com Vorcaro não é a primeira controvérsia da produção. O Financial Times cita que um sindicato de São Paulo afirmou ter recebido reclamações sobre as condições de trabalho no set e suposto uso não autorizado de uma música coescrita por Beyoncé em um teaser anterior, que teria levado a medidas judiciais. Os representantes da cantora e os produtores do filme foram procurados pela reportagem, e não comentaram. Apesar disso, destaca a reportagem, amigos do clã Bolsonaro acreditam que o filme terá grande público no Brasil e no exterior. "O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon disse ao Financial Times que pretende promover Dark Horse e acredita que o longa pode ser um sucesso nos EUA, dado o status celebrado de Caviezel no movimento Maga. Durante o mandato, Jair Bolsonaro foi um aliado próximo do presidente Donald Trump", diz. Jim Caviezel, estrela de A Paixão de Cristo, interpreta Jair Bolsonaro. O filme trata sobre a campanha vitoriosa de 2018, incluindo a facada sofrida pelo ex-presidente enquanto cumpria agenda eleitoral em Juiz de Fora (MG). “Se você está no Brasil e ouve dizer que há um filme sobre seu ex-presidente, estrelado por uma grande estrela de Hollywood, isso multiplica enormemente o alcance do investimento. É melhor do que fazer comerciais de TV de 30 segundos", disse Bannon à reportagem.