Ministro diz que Banco Central autorizou funcionamento dessas instituições, mas elas não vinham recebendo acompanhamento e fiscalização adequados O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (9) que é preciso fazer um esforço de antecipar o cronograma de supervisão das fintechs pelo Banco Central para reforçar o combate à lavagem de dinheiro e ao uso dessas instituições por operadores de apostas ilegais. Ele afirmou que o governo seguirá adotando providências, independentemente do período eleitoral. Segundo ele, investigações conduzidas pelo governo indicam que diversas fintechs vêm sendo utilizadas pelo crime organizado para essas práticas. O ministro afirmou que o Banco Central autorizou o funcionamento dessas instituições, mas elas não estavam no cronograma de supervisão da autoridade monetária e, por isso, não vinham recebendo o acompanhamento e a fiscalização adequados. “É preciso fazer esse esforço de antecipar esse cronograma de quando essas fintechs vão estar debaixo da supervisão do Banco Central. E o que eu estou dizendo aqui é resultado das investigações que a Receita Federal faz, que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) faz, que a Secretaria de Prêmios faz, e me informam”, disse em entrevista à Rádio Gaúcha. “O problema está nessas fintechs. Então, a gente tem feito, já teve mudança no CMN (Conselho Monetário Nacional), o Banco Central tem adotado providência e nós não vamos deixar, por conta de perigo eleitoral, seguir adotando providência para proteger as pessoas”, acrescentou. Durigan afirmou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) vem editando normas, em conjunto com o Banco Central, para reforçar a fiscalização das fintechs. Além disso, informou que, há cerca de uma semana e meia, o governo notificou 37 fintechs que, segundo identificou, receberam recursos de apostadores de bets ilegais, determinando o bloqueio dos valores e sua transferência ao Fundo Nacional de Segurança Pública, nos termos da legislação vigente. Durigan também destacou, na entrevista, que foi “na gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central” que começou o escândalo do Banco Master. “Não é possível que você tenha uma instituição financeira supervisionada pelo Banco Central, que tenha esse nível de fraude, com a supervisão, os diretores de supervisão do Banco Central não acompanhando, não identificando, porque não é uma coisa pontual, é algo estrutural e muito grave”. Ainda sobre a gestão anterior à de Gabriel Galípolo no BC, Durigan afirmou que “a pretexto de dizer que é liberal, que ia liberar atuação do mercado, se criou uma anarquia”. “Se deu autorização para muitas fintechs operarem no país, mas, ao mesmo tempo, elas não ficaram supervisionadas. Então, o que a gente tem visto é muita fintech sendo usada pelo crime organizado para lavar dinheiro, muita fintech sendo utilizada para receber dinheiro de bet legal, e o Banco Central não estava no cronograma olhar para essas fintechs, deu autorização para elas funcionarem, mas não está cuidando de dar a orientação e a supervisão para isso”, disse o ministro. Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil