Navio de transporte de GNL — Foto: Reprodução: Nikkei Asia A gigante francesa de energia TotalEnergies realizou o primeiro envio de gás natural liquefeito (GNL) de um novo terminal de exportação mexicano com destino à Ásia. A região busca rotas de abastecimento livres de pontos de estrangulamento logístico após as interrupções no fornecimento de energia causadas pela guerra no Irã. Dados de rastreamento de navios da Marine Traffic mostram que o Pacific Success, um transportador de GNL afretado pela empresa francesa, deixou o terminal Energia Costa Azul (ECA) LNG na quarta-feira (8). Uma fonte da TotalEnergies informou que a carga tem como destino a Coreia do Sul. O ECA LNG é o primeiro terminal de exportação de GNL do México na costa do Pacífico e está em fase de testes. Ele integra um grupo crescente de projetos na costa oeste das Américas, que inclui o LNG Canada, já operacional, e o Alaska LNG, que ainda aguarda uma decisão final de investimento. O gás que abastece o terminal mexicano vem dos Estados Unidos. Empresas de energia e tradings asiáticas esperam que esses projetos desempenhem um papel fundamental na segurança energética devido à proximidade geográfica e à possibilidade de contornar gargalos como o Canal do Panamá, cada vez mais congestionado. Graças à sua localização, "o ECA LNG permite que o gás natural dos EUA seja exportado para a Ásia e outros mercados da Bacia do Pacífico pela rota marítima mais curta, reduzindo o tempo e os custos de transporte", afirmou a fonte da TotalEnergies. "A expectativa é que o projeto seja concluído substancialmente no verão do hemisfério norte de 2026, com os contratos de venda de longo prazo entrando em vigor logo em seguida, assim que a instalação iniciar as operações comerciais", acrescentou. O embarque ocorre em meio à contínua volatilidade no fornecimento global de GNL, apesar de um cessar-fogo entre EUA e Irã que visava reabrir o Estreito de Ormuz. A via marítima é vital para o comércio de energia e concentrava cerca de um quinto dos fluxos globais de GNL — mais de 80% desse volume ia para países asiáticos antes do conflito. Desde então, as tensões voltaram a escalar. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacou pelo menos três navios comerciais na terça-feira, incluindo, segundo relatos, um petroleiro de GNL do Catar. Os Estados Unidos lançaram ataques retaliatórios horas depois, com o presidente Donald Trump declarando que o acordo de cessar-fogo "acabou". A demanda por GNL na Ásia também deve subir nos próximos meses devido à maior necessidade de refrigeração durante o verão. A TotalEnergies possui uma participação de 16,6% no ECA LNG, enquanto o restante pertence à americana Sempra Infrastructure. A empresa francesa também tem um contrato de 20 anos para adquirir 1,7 milhão de toneladas métricas por ano do projeto, que tem capacidade total de 3,25 milhões de toneladas anuais. A trading japonesa Mitsui & Co. também detém um contrato para comprar 800 mil toneladas por ano. O único outro projeto de exportação de GNL operacional no México, o Altamira Fast LNG, fica na costa do Golfo e envia cargas pelo Oceano Atlântico.
TotalEnergies envia primeiro carregamento de GNL do México para a Ásia
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