No epílogo de "Moana", animação da Disney que virou um fenômeno mundial há dez anos, a heroína devolve o coração roubado de uma uma deusa da natureza e da criação. O gesto quebra a maldição que espalhava a escuridão pelo oceano, e a divindade, antes um monstro rochoso, recupera a sua forma verde e florida original.

No mundo real, porém, Moana ficou desbotada. Pelo menos essa foi a percepção geral nas redes sociais quando a Disney divulgou o primeiro trailer do filme live-action agora em cartaz nos cinemas, mais uma adaptação com pessoas de carne e osso para uma fábula infantil do estúdio.

O filme tem um visual menos acinzentado do que predecessores como "A Pequena Sereia" e "Peter Pan e Wendy". Ainda assim, os seus fãs notaram que o oceano, a areia e as vestes indígenas de Maui, semideus encarnado por Dwayne Johnson, o The Rock, e de Moana, vivida por Catherine Laga’aia, ficaram aquém da exuberância do desenho —enquanto outros elementos, como a flora tropical, ganharam uma saturação —isto é, uma certa vivacidade— artificial.

O descontentamento não é de agora e não se restringe a adaptações de animações, já que a tendência tem se espalhado por Hollywood. Fãs estranharam a paleta amarronzada e desbotada de "Supergirl", sobre a heroína dos quadrinhos da DC, e acusaram o filme de replicar um visual genérico de histórias de heróis. Críticos apontaram que "A Casa do Dragão", paraquela de "Game of Thrones", teve sua paleta achatada em tons de cinza e verde, fazendo com que joias, roupas e cenários medievais perdessem o contraste.