O ano é 2026 e um homem toma um comprimido de tadalafila no vestiário da academia. Ele vai treinar ou sair para um encontro?

O remédio, usado para tratamento de disfunção erétil, ganha espaço entre frequentadores de academias como uma espécie de "pré-treino", de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem.

A percepção é acompanhada pela quantidade de publicações nas redes sociais, que disseminam a prática off label (quando um medicamento é utilizado para uma finalidade diferente da aprovada em bula).

A lógica parece fazer sentido. Ao chegar no estômago, o remédio entra na corrente sanguínea e inibe a enzima PDE-5 (fosfodiesterase), que controla o tônus dos vasos sanguíneos. Sem essa enzima atrapalhando, as artérias relaxam e o fluxo sanguíneo para os músculos aumenta. No treino, a sensação é de braços mais inchados, o famoso pump (significa "bombar", em inglês).

O problema é que essa hipótese não tem respaldo nas evidências científicas disponíveis e pode expor usuários a riscos que vão de quedas de pressão a lesões musculares.