Derivados da testosterona, o principal hormônio sexual masculino, os esteroides anabolizantes (EAs) são medicamentos que promovem o crescimento celular e o desenvolvimento de tecidos no organismo. Embora essa categoria tenha diversas aplicações médicas, seu uso para fins estéticos ou performaticos é, além de arriscado para a saúde do usuário, proibido no Brasil.

Elaborado por ao menos cinco profissionais e publicado em 2014, o estudo "The global epidemiology of anabolic-androgenic steroid use: a meta-analysis and meta-regression analysis" (equivalente a "A epidemiologia global do uso de esteroides anabólicos androgênicos: uma metanálise e análise de metarregressão" em tradução livre para o português), disponível na revista científica "Annals of Epidemiology", aponta que aproximadamente 3,3% da população mundial utiliza EAs.

Mesmo com orientação profissional, o uso dessas substâncias –também chamadas de bomba ou suco dentro do meio fitness– pode acarretar diversos efeitos adversos, como aumento da irritabilidade, da oleosidade da pele, da pressão arterial e do risco cardíaco.

Em entrevista à coluna, o médico Vinícius Amaral explica os riscos que a utilização dessa classe de medicamentos sem a necessidade clínica pode gerar: "A curto prazo, a gente tem a acne, a retenção de líquidos, a alteração de humor e o aumento da pressão arterial. Muitos ficam mais irritados e têm mais dificuldade para dormir. O sangue fica mais viscoso, uma vez que o hematócrito aumenta. Também há alterações no colesterol –enquanto o chamado ‘colesterol bom’ (HDL) cai, o ‘colesterol ruim’ (LDL) aumenta–, o que é um perigo para o sistema cardiovascular".