O governo Lula (PT) endureceu as regras a serem seguidas por integrantes da gestão e por servidores para o período do defeso eleitoral, que restringe manifestações e publicidade governamental durante a campanha, e analisa uma lista de publicações em redes sociais de ministros vistas com potencial de infringir a legislação.

O levantamento foi preparado por técnicos do governo e será analisado pelo ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, responsável pela orientação dos agentes públicos nesse período restritivo.

Na relação, há publicações de ministros como Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Wolney Queiroz (Previdência), que foram consideradas eventuais infrações à lei eleitoral e que podem ser tiradas do ar. Os conteúdos envolvem divulgações de ações do SUS (Sistema Único de Saúde) e de eventos, ações específicas das pastas e fotos com Lula.

Na conta do ministro Silveira, por exemplo, foi publicado um "checklist da semana" com ações feitas pela pasta. Uma delas dizia "trabalho em parceria com o presidente Lula". Na de Wolney, há duas postagens fixadas com a imagem de Lula. Ambas foram consideradas arriscadas por advogados do governo.

Segundo ministros e auxiliares, há um clima de temor para que manifestações pessoais não configurem possíveis furos às restrições neste ano. Como mostrou a Folha, o governo desta vez endureceu medidas como a derrubada dos conteúdos de sites institucionais e estatais, como a EBC, estendendo a censura que costuma ser feita no período para notícias e outras produções mesmo sem teor político.