Um levantamento feito pela BBC News Brasil com base em dados da Biblioteca de Anúncios da Meta (dona do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp) mostra que as dez maiores casas de apostas online do Brasil dispararam centenas de anúncios em suas redes sociais nas semanas pré e durante a Copa do Mundo, mas sem a divulgação dos dados sobre os valores gastos nessas campanhas e sobre a quantidade do público impactado.

A ausência desses dados impede, por exemplo, que se verifique de forma independente se os anúncios veiculados pelas empresas excluem o público abaixo dos 18 anos, como manda a legislação ou se ele se concentra em um determinado gênero, faixa etária ou região geográfica do país.

Entidades que monitoram a atuação das bets no Brasil, como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) criticam a falta de divulgação dos dados sobre a publicidade das bets em redes sociais como as da Meta.

A pesquisadora em saúde mental do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), Dayana Rosa, e o especialista em marketing digital, Filipe Detrey, classificam a forma como os anúncios de bets são veiculados como uma "caixa preta".

Segundo estas organizações, a alegada falta de transparência sobre os dados da publicidade veiculada pelas bets dificulta o monitoramento da atuação dessas empresas junto a públicos vulneráveis.