"Eu sofro: disso alguém deve ser culpado", diz a ovelha doente narrada por Nietzsche. Nós, brasileiros, doentes pela frustração da eliminação da Copa, rapidamente nos comportamos como a ovelha do filósofo.
Culpamos o estrelismo dos jogadores que ganham milhões e entregam pouco; o técnico; Bruno, que perdeu o pênalti. Culpamos Neymar, mais moleque do que nunca (e não "menino Ney") ao encenar a forma mais disfuncional e perigosa de lidar com a dor, descontando a própria frustração em brigas e xingamentos aos adversários.
Mas esta não é uma coluna sobre ele, é sobre nós. Sobre como, cotidianamente, culpamos e descontamos no outro as nossas próprias frustrações. Sobre como transformamos em adversários ex-namoradas, irmãos, colegas ou filhos. Pessoas próximas que podem ou não estar envolvidas naquela nossa "partida emocional", mas que estão próximas o bastante para se tornar alvo das dores que não encontram destino.
Peço licença ao positivismo do espírito esportivo para darmos espaço e voz ao pessimismo, à raiva, à inveja e a tantos outros sentimentos incômodos que surgem quando um sonho e um plano acabam. Saber lidar com as emoções não é interditar o que corrói, mas, sim, sustentar esse turbilhão sem direcioná-lo a alguém como forma de retomar um suposto controle que simplesmente desaparece sempre que perdemos algo ou alguém.












