Às 6h, o ar de Teerã exalava calor. O túnel da estação de metrô levava uma maré humana que buscava desesperadamente chegar ao seu destino: a praça Enghelab, um dos locais por onde passaria o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei.
Peguei o metrô quando já não havia mais assentos, e o vagão se vestia de preto. Na aglomeração —uniforme à distância—, havia fissuras facilmente reconhecíveis: entre chadores idênticos (vestimenta tradicional feminina), viajavam também três mulheres com os cabelos descobertos e vestidas fora do código seguido pelas demais.
Milhares de pessoas lotaram a rede de metrô de Teerã nesta terça-feira (7). Oito estações foram fechadas por saturação e, em cada parada, subia mais gente do que descia.
Descemos às centenas na plataforma da Universidade Sharif, empurrados em direção à praça Enghelab pela multidão. Desde o primeiro degrau em direção à superfície, o cheiro me devolveu a outros países próximos, a outras despedidas e à mistura de água de rosas e suor.
Na avenida Enghelab —ou da Revolução—, que começa na praça Imã Hussein e de onde partiu o cortejo fúnebre, caminhei no mesmo sentido em que marchou em 1979 a multidão que impôs esse nome ao que antes se chamava Xá Reza. A Universidade de Teerã e as livrarias mais antigas do país ocupam esta rua, que viu mais marchas do que qualquer outra na cidade.










