O urologista Francisco Fonseca e a sexóloga Claudia Petry oferecem respostas diferentes. Enquanto o especialista em urologia afirma que existem diferenças biológicas que favorecem uma resposta masculina mais rápida, a sexóloga garante que homens e mulheres podem sentir desejo com a mesma intensidade, embora o expressam de maneiras diferentes. Homens se excitam mais rápido do que as mulheres? O que diz a ciência Para Francisco Fonseca, membro das Sociedades Brasileira, Americana e Europeia de Urologia, as diferenças entre os sexos realmente existem. Ele explica que, de modo geral, os homens apresentam desejo sexual com mais frequência e uma resposta mais imediata a determinados estímulos, especialmente os visuais. – Os homens tendem a responder com maior intensidade aos estímulos relacionados à sua preferência sexual, especialmente os visuais. Já as mulheres apresentam uma resposta sexual mais complexa e variável, que envolve fatores emocionais, relacionais e contextuais – afirmou. Sexóloga desmonta o mito de que os homens sentem mais desejo Claudia Petry considera que a comparação parte de uma ideia equivocada. Para ela, o fato de a excitação masculina ser mais visível ou surgir mais rapidamente não significa que seja mais intensa. – Os homens se excitam mais rápido e de forma mais visível, o que é diferente de ‘mais’. As mulheres sentem com a mesma intensidade, mas o desejo delas tende a ser reativo: surge após um toque, um determinado ambiente ou uma conversa. – Transformamos o modo de funcionamento masculino em critério do que é ‘normal’. Então, qualquer desejo que não seja rápido passou a ser visto com desconfiança, quando na verdade isso não é um defeito – acrescentou. Qual é o papel do cérebro e dos hormônios na excitação sexual? Fonseca explica que a excitação sexual depende da interação entre o cérebro, os hormônios e diferentes estímulos sensoriais. Segundo ele, pesquisas com ressonância magnética funcional mostram que imagens eróticas ativam regiões cerebrais ligadas ao prazer, à motivação e à recompensa, provocando uma rápida liberação de dopamina. – Situações novas, fantasias e a sensação de ser desejado, admirado ou valorizado costumam aumentar significativamente a excitação masculina – disse. O urologista também destaca que a testosterona desempenha um papel central no desejo sexual masculino, embora fatores como estresse, ansiedade, depressão e alguns medicamentos possam reduzir a libido. A cultura também influencia a forma de viver o desejo sexual Para Petry, as diferenças entre homens e mulheres não podem ser compreendidas apenas pela biologia. Ela afirma que a educação e as mensagens sociais sobre sexualidade condicionam a maneira como cada pessoa expressa o desejo. – Os meninos crescem ouvindo que a luxúria é um troféu. As meninas crescem ouvindo que ela é um pecado. Quando se educa metade da humanidade para celebrar o desejo e a outra metade para sentir vergonha dele, o resultado não é natureza. É doutrinação – explicou. Por que alguns homens podem se excitar apenas imaginando uma situação? De acordo com Fonseca, o cérebro pode ativar a resposta erétil antes mesmo do contato físico, graças a uma via neural que conecta pensamentos, imagens e fantasias aos centros nervosos responsáveis pela ereção. – Apenas olhar, imaginar ou fantasiar pode ser suficiente para provocar uma ereção. Não se trata apenas de algo psicológico, mas de um mecanismo neurofisiológico real e muito sofisticado – afirmou. Petry concorda quanto à importância da imaginação, mas considera que existe um aspecto emocional frequentemente ignorado quando se fala da sexualidade masculina. – O que realmente conecta um homem, e isso surpreende muita gente, é sentir-se desejado. O lado emocional da excitação masculina existe. Ter um órgão sexual externo facilita a excitação masculina? O urologista afirma que a anatomia também influencia. Segundo ele, o pênis possui alta concentração de terminações nervosas, e a estimulação tátil favorece os reflexos neurológicos que mantêm a ereção e intensificam o prazer. Petry ressalta que as mulheres também passam por mudanças físicas intensas durante a excitação, como lubrificação e ereção do clitóris, embora essas respostas sejam menos visíveis. – Uma ereção é um sinal impossível de ignorar. A mulher experimenta reações tão intensas quanto a lubrificação ou a ereção do clitóris, mas tudo acontece de forma mais discreta e interna – argumentou. Os dois especialistas concordam que o desejo sexual depende de múltiplos fatores e não pode ser explicado apenas pelo sexo biológico. Hormônios, funcionamento cerebral, experiências pessoais, emoções e contexto social influenciam a forma como cada pessoa vive a excitação sexual. – Quando alguém diz que ‘os homens se excitam com mais facilidade’, está falando de hormônios, configuração cerebral e cultura, não de uma suposta essência masculina. O desejo não é um destino determinado pelo gênero – conclui Claudia Petry.