Ganhou destaque recentemente o momento em que alguns artistas da música comemoraram ao ouvir o nome de Neymar durante o patético espetáculo promovido pela Confederação Brasileira de Futebol antes da Copa do Mundo —chamado de "convocação" por uns, de mau presságio por outros. Estavam ali a pop star Ludmilla, os rappers Cabelinho, Felipe Ret e Veigh, o forrozeiro Nattan e o alguma-coisa Dilsinho, que fez uma apresentação à altura do convescote.
A presença e a reação da turma não foram por acaso. Ludmilla e Veigh integraram o time de artistas de "Bate no Peito", música escolhida pela CBF para tocar a cada gol da seleção na Copa. Enquanto a França comemora ao som da explosiva "One More Time", do Daft Punk, e a Argentina exala fernet com coca ao embalo da cumbia "El Matador", o país de sambas como "Vou Festejar" passou a celebrar seus gols ao som de uma ação de marketing frouxa.
Talvez a CBF tivesse sido mais bem-sucedida em sua empreitada musical se tivesse aprendido com Neymar —o atleta de outros tempos, e não a vaga lembrança que se apresentou nesta Copa. Sua trajetória é indissociável da música popular brasileira e ajuda a explicar transformações decisivas da indústria nos últimos 15 anos, da consolidação do streaming ao advento da inteligência artificial.











