Na contramão de dietas restritivas com foco em emagrecimento feminino, protocolos alimentares para ganho muscular conquistam espaço entre homens. A busca por "dieta carnívora" ganhou fôlego em 2024 e atingiu o seu pico no início de 2026, bem como o termo "dieta da selva", de acordo com dados do Google Trends.

Ambas propõem o consumo primordial de alimentos de origem animal, abrindo mão total ou parcialmente dos vegetais. A ingestão de produtos ultraprocessados é vedada na dieta da selva.

Mas, embora apelem à alimentação natural, esses e outros métodos frequentemente se associam ao discurso de resgate de uma suposta masculinidade ancestral. Em suas teorias, perfis de adeptos nas redes sociais traçam relação entre o elevado consumo de proteína, um corpo musculoso, o aumento de testosterona e uma ideia de homem predatório.

De acordo com a nutricionista Sophie Deram, no entanto, não há base científica que endosse essa relação. A especialista ressalta que o consumo de proteína não gera massa muscular se não houver prática de exercícios físicos. O excesso do macronutriente consumido é excretado pelo corpo; o consumo de gordura associado também aumenta os riscos de alteração metabólica e problemas cardiovasculares.