Na estruturação do departamento de teledramaturgia da Globo, ao longo das décadas de 1970 e 1980, Daniel Filho e Boni tiveram a sabedoria de arregimentar autores com perfis e estilos muito diferentes entre si. Com o tempo, o espectador aprendeu a identificar sozinho, com base em características e traços do que via na tela pequena, quem era o autor de cada novela.

Benedito Ruy Barbosa é um desses. Construiu uma obra com marcas tão nítidas que até dispensa o nome nos créditos de abertura das novelas que escreveu. Está no patamar dos grandes autores, como Dias Gomes, Lauro Cesar Muniz, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Janete Clair e alguns mais.

Como escrevi mais de uma vez, Benedito elaborou sagas com tintas épicas que conjugam as melhores características do folhetim com a ambição de reconstituir episódios que evocam glórias e tragédias do passado e dos tempos atuais.

Falando sobre o seu processo de criação, Benedito sempre disse que "grande parte das histórias, evidentemente, vem da imaginação, mas o fundamental vem das experiências de vida". Essa mistura está na base do que levou às telas por cinco décadas.

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