Para o diretor Luiz Fernando Carvalho, é impossível surgir um novo dramaturgo que se equipare a Benedito Ruy Barbosa. Ambos trabalharam juntos em novelas como "Renascer", "O Rei do Gado", "Esperança" e "Velho Chico".

O autor morreu nesta terça-feira, aos 95 anos, devido a complicações de insuficiência renal crônica.

Carvalho diz que Benedito era um ficcionista, um dramaturgo que colocava a emoção na frente de tudo. Hoje em dia, porém, o algoritmo e a produtividade é que estão na frente de tudo. "O capital venceu e não o coração", diz o diretor.

A parceria entre os dois realizadores, diz Carvalho, era capaz de blindar o autor de exigências mercadológicas, dando tempo e espaço para o artista. "O que eu e Benedito fazíamos era completamente fora dos padrões da empresa’, conta. Hoje em dia, isso seria impossível, segundo ele.

"Talvez hoje em dia, essa parceria entre autor não seja mais possível", diz o diretor. "Os autores hoje entraram numa fôrma de produtividade, onde a intuição conta menos, a emoção conta menos, o olhar singular daquele autor e daquele diretor contam menos. O que conta mais é a produtividade, é a entrega do capítulo a partir de uma cartilha de bom comportamento."