A vida de Benedito Ruy Barbosa —que morreu nesta terça-feira, aos 95 anos, devido à complicações de insuficiência renal crônica—, passou na televisão. Foi exibida em capítulos de "Cabocla", "Os Imigrantes", "Paraíso", "Pantanal", "Renascer", "O Rei do Gado", "Terra Nostra" e de outras das mais de 20 novelas que escreveu inspirado por suas vivências.
Como seus protagonistas, Ruy Barbosa foi um homem do campo, e sua vida, uma saga de lutas e sucessos. Talvez por isso, costumava falar da história de seus personagens com a voz embargada, olhos marejados, muitas vezes sem segurar as lágrimas. Não foram poucas as vezes em que familiares se depararam com ele chorando diante de uma cena que acabara de escrever. Um passional assumido.
O autor nasceu em 17 de abril de 1931 em Gália, no interior paulista, cidade recém-criada à época, com algumas dezenas de ruas e pouco mais de 2.000 habitantes. Mudou-se pequeno com a família para a vizinha Vera Cruz, onde o pai tinha livraria, tipografia e jornal.
Brincava com filhos de imigrantes que trabalhavam na produção de café, muito presente na região. À noite, sob um lampião, inventava histórias para a turma. Em férias no sítio de um tio, aprendeu a tocar berrante, andar a cavalo, tirar leite de vaca e a tocar a boiada.












