"O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter recompensaria os responsáveis ​​pelas ações em questão", disse. O senador também mencionou que esse é o "pior momento possível" para a aplicação da medida e defendeu o adiamento. "Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha a suas tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta medida, cancele-a e vamos negociar", prosseguiu. 🔎Em 15 de julho termina o prazo para os EUA decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Resposta formal Na época, governo americano acusou o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA. Segundo o Itamaraty, usar esses temas para justificar sanções comerciais ampliaria excessivamente o alcance da legislação americana usada na investigação. Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas — Foto: Divulgação Corrupção, críticas a Lula e PIX "A corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro. Não há discordância quanto a isso. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. Os quatro maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil — o esquema do Mensalão, o caso revelado pela Operação Lava Jato, a fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados", frisou. O senador mencionou ainda os benefícios do PIX — no qual sempre atribui a gestão do seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro — a empresas americanas. "O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi criado durante a administração [Jair] Bolsonaro. O PIX não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — à economia formal. Além disso, continua beneficiando diretamente empresas americanas" prosseguiu. Participação em audiência Flávio chegou ao segundo dia de audiência sobre o tarifaço nos EUA por volta das 11h — horário marcado para início das falas —, mas só começou a falar por volta das 11h45, pois havia uma ordem de falas listada. A participação nas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) é aberta aos interessados que se inscreverem — foi assim que Flávio Bolsonaro ganhou o espaço para falar no evento. O senador enviou à autoridade americana um pedido de comparecimento e um resumo do depoimento que pretende fazer. Nos documentos, Flávio pede cinco minutos para falar, tempo padrão para participação no evento, e informa que vai se pronunciar em inglês e presencialmente. O político se apresenta como integrante do Senado Federal do Brasil e pré-candidato à Presidência da República. Relata ter se reunido pessoalmente com Trump para tratar dos temas da investigação. Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca no final de maio — Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro via BBC