Expectativa de faturamento adicional cai 23% para o segmento de alimentação fora do lar Alexandre Sampaio, da FBHA: ‘Parte do estoque pode ficar encalhada’ — Foto: Beto Barata/Agência Senado A eliminação do Brasil da Copa do Mundo, após perder por 2 a 1 para a Noruega no domingo (5), deve reduzir em cerca de 23% a expectativa de aumento de vendas no segmento de alimentação fora do lar e em torno de 35% no comércio de itens diretamente ligados ao torneio, diz a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA). A projeção se refere ao faturamento adicional esperado para os jogos que o Brasil deixou de disputar e reflete a percepção de empresários consultados pela entidade. Antes da eliminação, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projetava que a Copa poderia movimentar R$ 2,42 bilhões em bares e restaurantes. Haveria alta real de 6,5% no varejo em relação à Copa de 2022, enquanto bares e restaurantes poderiam crescer 15,7%. Procurada, a CNC não se pronunciou. O impacto mais direto deve ser sentido por bares, restaurantes, delivery de alimentos e bebidas e pelo comércio de produtos temáticos como camisas, acessórios e itens ligados à seleção, diz o presidente da FBHA, Alexandre Sampaio. “Parte desse estoque pode perder atratividade imediata e ficar encalhada, reduzindo o resultado esperado”, diz. No varejo alimentar, a eliminação frustrou a expectativa de alta nas vendas. Pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em parceria com a plataforma Scanntech, indica que, se o Brasil tivesse saído na fase de grupos, o potencial de crescimento da receita do setor seria de 3,6%. Com a seleção nas oitavas de final, a projeção passou a ser de 4,3% a 5,5%. Caso o Brasil chegasse à semifinal ou à final, o ganho seria de 6,2% a 8,6%. A comparação é com as 12 semanas anteriores ao início da Copa. O economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz, diz que os resultados ainda precisam ser consolidados para dimensionar o desempenho do segmento durante a Copa, com destaque para salgadinhos, bebidas e carnes. “O humor do consumidor influencia tanto no tipo quanto no volume de compras. Como para muitos brasileiros a Copa terminou no domingo, é bem provável que o aumento mais considerável das vendas não vá se concretizar ao longo das próximas semanas”. Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) em marketing, vendas e finanças, Roberto H. Kanter, o efeito deve ser entendido como perda de receita projetada, e não como prejuízo já realizado: “Faturamento seria se a gente tivesse vendido. O potencial de receita previsto ou projetado vai estar longe daquilo que foi imaginado.” Kanter diz que os jogos anteriores já haviam gerado festas, eventos, renda, vendas e movimentação, mas a eliminação interrompeu uma escala que poderia crescer nas fases finais. “A eliminação muito cedo fez com que a projeção de receita caísse muito”, diz. O impacto tende a aparecer em eventos, bares com programação especial, aplicativos de entrega e transporte e empresas que montaram ações para os dias de jogos. “Os investimentos feitos, principalmente por quem montou estrutura específica, talvez não tenham o retorno esperado. Uma ida até a semifinal daria pelo menos mais um sábado de movimento”, diz Kanter. “Aplicativos como iFood e 99 também devem ser bastante afetados.” O iFood espera que, mesmo com a eliminação do Brasil, o consumidor assista às próximas fases da Copa, especialmente as semifinais e a final. Neste momento, a empresa estuda quais devem ser os melhores horários para oferecer promoções aos consumidores. Isso porque, durante o jogo do Brasil contra o Japão, o pico de pedidos aconteceu antes da partida, enquanto no confronto contra a Noruega o boom foi uma hora depois do apito final. Além dos bares, o professor da FGV cita reflexos no varejo de moda e adereços. Supermercados e atacarejos podem ter comprado mais bebidas e carnes, mas esses estoques tendem a continuar girando depois da competição. Já itens como roupas e acessórios ligados à seleção perdem força com a saída do Brasil. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) avalia que a eliminação reduz o potencial de mobilização, mas não anula o movimento registrado enquanto a seleção estava na competição. Pesquisa da entidade mostrava que 83% dos empresários esperavam aumento de faturamento durante a Copa e que 52% dos estabelecimentos haviam investido na transmissão dos jogos para atrair público. “As partidas da equipe nacional funcionam como um forte atrativo para reunir grupos de amigos e familiares em bares e restaurantes, o que tende a impulsionar vendas e ocupação”, diz o líder de conteúdo da Abrasel, José Eduardo Camargo. “O que se espera é uma redução em relação ao patamar observado nos jogos da seleção brasileira, que tradicionalmente concentram maior interesse.” Camargo diz que o saldo do torneio ainda tende a ser positivo para bares e restaurantes, já que os estabelecimentos tiveram boa movimentação durante a participação do Brasil e atraíram consumidores que nem sempre frequentavam esses ambientes para assistir a eventos esportivos. A Abrasel pretende divulgar nos próximos dias, em parceria com a Stone, dados consolidados sobre o desempenho do setor. Para a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), a eliminação não deve provocar queda generalizada nas vendas do setor, mas reduzir a receita adicional esperada por estabelecimentos que montaram estratégias direcionadas aos jogos do Brasil. A Abrasel vê espaço para atrair torcedores mais engajados e fãs do esporte. Kanter, da FGV, é mais cético em relação à capacidade dos jogos restantes de manterem mobilização relevante no país. Na avaliação dele, sem a seleção em campo, o interesse passa a se concentrar nos torcedores mais ligados ao futebol, sem o mesmo alcance nacional provocado pelos jogos do Brasil. “Toda mobilização que poderia acontecer frente a uma vitória do Brasil não tem chance de acontecer”, diz Kanter. “A Copa do Mundo, por si só, para 90% do mercado, acabou.
Sem Brasil na Copa, vendas crescem menos
Expectativa de faturamento adicional cai 23% para o segmento de alimentação fora do lar












