Acordei na manhã de domingo e coloquei o melhor Jorge Ben em vinil para tocar "Dumingaz": "Eu vou rezar para esse domingo não chover. Pois eu quero passear no parque de mãos dadas com você". Que não chova nem faça muito calor na minha querida "New York City" (na verdade, os jogos ocorrem em Nova Jersey, uma espécie de Guarulhos de Nova York) para o jogo do Brasil.

Benjor, que no meio baileiro negro de São Paulo chamamos apenas de Ben, foi aquele que inventou a tradição de cantar o amor às mulheres brasileiras e ao futebol por meio de seu samba-soul malandro.

"Dumingaz" é uma homenagem juvenil à sua eterna namorada e esposa por mais de cinco décadas, Domingas. Era essa sonoridade que eu queria para inspirar a partida do Brasil de domingo à tarde. Jorge cantou a paz e o amor pela vitrola de meu apartamento pela manhã. Ao final da tarde, veio a guerra em remadas nórdicas de chifres.

Norbert Elias, sociólogo alemão, abordou o esporte como objeto das ciências sociais em seu livro "Quest for Excitement" (Busca por Excitação), escrito em coautoria com Eric Dunning nos anos 1960. De maneira resumida, Elias entende o esporte e o lazer como formas de prazer e excitação coletiva que canalizam a violência dentro de um processo civilizatório em que as práticas sociais resolvem conflitos e dilemas sociais.