Analistas apontam sinais de transição estratégica que levaria a redefinição nos próximos anos A XP Inc. pode estar no início uma guinada em seu modelo de negócios, conforme análise divulgada pelo time do BTG Pactual que cobre o setor financeiro. Segundo análise enviada a clientes, a instituição financeira parece estar consolidando uma transição estratégica para fortalecer sua franquia de crédito e serviços bancários de atacado, uma mudança que promete redefinir sua tese de investimento nos próximos anos. O documento, assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, menciona reunião com representantes do mercado financeiro na XP Expert do ano passado com o CEO Thiago Maffra, que na ocasião delineou dois caminhos possíveis para o futuro da companhia. O cenário preferido dependia de um ambiente de mercado favorável, com juros mais baixos, que permitiria à XP expandir sua rentabilidade focando em sua plataforma de investimentos tradicional, no modelo “asset-light”. Mas diante da persistência da Selic em patamares elevados e de uma competição mais acirrada com bancos tradicionais, o segundo cenário — focado na expansão do balanço patrimonial por meio de crédito corporativo — tornou-se o caso base para a empresa, na avaliação dos analistas. “Construir e consolidar uma carteira de crédito corporativo de alta qualidade não pode ser feito às pressas sem aumentar o risco de subscrição e execução, visto que os relacionamentos com os clientes, os processos de crédito e o desempenho da carteira podem levar anos para amadurecer”, escrevem. Para viabilizar essa transformação, a XP tem se movimentado nos bastidores com a recém-contratação do ex-Santander Gustavo Alejo, como diretor financeiro, além de adições vindas do C6 para a área de pequenas e médias empresas e do Itaú para a área corporativa. A maioria desses profissionais se reporta a José Berenguer, que lidera a divisão de atacado da XP desde 2020. Os analistas do BTG Pactual ponderam que a mudança exige uma profunda transformação cultural. Historicamente focada em corretagem e captação de recursos, a XP precisaria se adaptar a uma dinâmica centrada em alocação de capital e gestão de riscos. Além disso, o perfil de retorno financeiro de um banco de atacado maduro tende a ser diferente. “O Banco ABC Brasil, por exemplo, apresentou lucros resilientes e gerou valor ao longo do tempo, mas seu ROE de 15-16% permanece bem abaixo dos níveis historicamente gerados pela plataforma ‘asset light’ da XP.” Essa diferença indica que o sucesso da companhia dependerá de sua capacidade de gerar receitas complementares, como tesouraria, gestão de caixa e serviços transacionais. A mudança de perfil já estaria refletida na avaliação das ações no mercado. Se no momento da oferta pública inicial (IPO) na Nasdaq, no fim de 2019, a XP era negociada a múltiplos elevados, a mais de 30 vezes o lucro, hoje estaria ajustada às métricas de um banco tradicional, rodando a cerca de 8 vezes o preço/lucro (P/L) projetado para 2026. Apesar dos desafios de execução e de um “ceticismo natural por parte dos investidores”, o BTG Pactual mantém a recomendação de “compra” para as ações da XP, com preço-alvo de US$ 24,00, visto que os papéis já vêm sendo negociados com desconto considerável e não haveria pressão adicional se a companhia adotasse esse caminho. — Foto: Divulgação
Com Selic elevada, BTG vê guinada no modelo de negócios da XP
Analistas apontam sinais de transição estratégica que levaria a redefinição nos próximos anos







