As ações da XP Inc. têm queda de 4,9% na Nasdaq nesta terça-feira (19), após a companhia ter divulgado os seus resultados do primeiro trimestre de 2026 ontem à noite. Os papéis eram cotados a US$ 16,50. O desempenho da empresa veio mais fraco do que o esperado, segundo análise do BTG Pactual, com a receita líquida, lucro antes de imposto e lucro líquido cerca de 3% abaixo do consenso do mercado. O desempenho refletiu em grande parte o impacto negativo da marcação a mercado, com a alta dos spreads, no estoque de crédito mantido pela companhia para alimentar transações no mercado secundário. O lucro líquido totalizou R$ 1,318 bilhão, com alta de 3% no trimestre e de 7% em 12 meses, com o retorno sobre o capital em 21,7%. O CEO da XP, Thiago Maffra, reiterou durante teleconferência que o crescimento de receita de dois dígitos em 2026 permanece alcançável, mesmo com a atividade de emissão de dívida menos dinâmica e os mercados de crédito ainda fracos até aqui. O Itaú BBA destacou em relatório que as receitas de renda fixa caíram acentuadamente para R$ 756 milhões, recuo de 25% em 12 meses e de 19% no trimestre, devido a perdas de marcação a mercado e investidores de varejo focados em menor duração e em ativos menos arriscados. Essa dinâmica também afetou os serviços de emissores, que caíram 5% em 12 meses e 33% no trimestre para R$ 269 milhões. O banco apontou que a captação líquida no varejo, de R$ 18,7 bilhões, ficou ligeiramente abaixo das estimativas da equipe de análise, mas ainda próxima dos R$ 20 bilhões que a XP tem como meta informal por trimestre. O número não considera o ingresso líquido de R$ 19 bilhões decorrente do pagamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a investidores que tinham papéis do Banco Master, que foram ajustados diretamente no total de ativos. A receita bruta aumentou 8% em relação ao ano anterior, mas com recuo de 7% em relação ao trimestre anterior, para R$ 4,92 bilhões, com forte dispersão dentro do varejo, aponta o Itaú BBA. O segmento de ações se beneficiou da maior atividade de mercado e contribuiu com rendas de R$ 1,17 bilhão, com aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior, e com alta de 13% em relação ao último trimestre de 2025, 5% acima da estimativa do time de análise do banco. Só que ao comparar os dias de negociação no varejo (alta de 23% em 12 meses) com os dados reportados pela B3, a XP perdeu participação de mercado ou obteve receita menor em relação aos volumes negociados, nota o Itaú BBA. Já as despesas com vendas, gerais e administrativas atingiram R$ 1,61 bilhão, com aumento de 14% em comparação ao mesmo intervalo em 2025, ficando 5% acima da estimativa do Itaú BBA, pressionadas pelo aumento no número de funcionários e pagamentos de bônus. O Itaú BBA tem indicação neutra para os papéis da XP, com preço-alvo de US$ 22 para 2026, enquanto o BTG Pactual tem indicação de compra e projeta a ação em US$ 25 em 12 meses.